O novo ofício foi emitido nesta quinta-feira (29) pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, depois de uma reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico na terça-feira (27). O prazo começa a contar quando a montadora receber a notificação, e não na data do documento, segundo o OVALE.
A cobrança chega três meses depois de a prefeitura anunciar que iria desapropriar a área. O decreto de desapropriação, porém, ainda não foi publicado.
A unidade de Jacareí foi inaugurada em 2014 como a primeira fábrica da Chery no Brasil. Em 2017, o Grupo Caoa e a chinesa formaram a joint venture Caoa Chery.
A linha produzia o Tiggo 2, o Tiggo 3X, o Arrizo 5 e o Arrizo 6. Quando parou, em maio de 2022, a fábrica tinha cerca de 600 funcionários, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.
Desse total, 485 foram demitidos e os demais seriam realocados pela empresa, segundo reportagem do NSC Total. A planta tem capacidade nominal para 150 mil veículos por ano.
Está parada há mais de quatro anos. Em 2022, a Caoa Chery disse que a parada seria temporária, para adaptar a fábrica a carros híbridos e elétricos.
A previsão era retomar em 2023. A reabertura nunca aconteceu.
A produção da marca se concentrou em Anápolis (GO), onde o Grupo Caoa mantém sua principal fábrica desde 2007. O terreno foi doado pela prefeitura em 2010.
Em troca, a empresa se comprometeu a implantar e manter a fábrica funcionando e a gerar empregos na cidade. A expectativa era passar de 3 mil vagas.
A Caoa Chery também recebeu incentivos municipais de ITBI, ITU e IPTU, com base na Lei Municipal nº 5.493/2010 e no Decreto Municipal nº 898/2010. Segundo o ofício, débitos de IPTU de anos recentes já foram lançados e inscritos na dívida ativa, porque a empresa não cumpre mais os requisitos da isenção.
Os valores não foram informados. A notificação pede cronograma de atividades, previsão de investimentos, recursos para operar a fábrica e estimativas de produção e de empregos diretos.
A montadora também terá de explicar por que reduziu as atividades e mostrar documentos sobre a situação da planta, o uso atual das instalações e o quadro de funcionários. A prefeitura aponta “paralisação prolongada”, “redução expressiva” de funcionários e possível descumprimento das contrapartidas de emprego e valor adicionado ao município.
Segundo a secretaria, a notificação é instrutória e garante à empresa o direito de defesa. A decisão sobre manter ou revogar os incentivos fica com o conselho, depois da resposta da montadora.
O documento não determina a desapropriação nem tira a isenção de imediato, de acordo com o g1. As cobranças começaram em junho de 2025.
Em 21 de julho daquele ano, a prefeitura notificou a empresa sobre a possível reversão da doação ou desapropriação e deu 45 dias para um plano de retomada. A pedido da própria Caoa Chery, o prazo foi ampliado para 12 meses.
Em abril de 2026, um novo ofício voltou a cobrar resposta objetiva, sem resultado, segundo o município. Em 20 de julho de 2026, com o prazo esgotado, a prefeitura avisou o presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, e o gerente-geral da Chery International Brasil, Cláudio Guowei Xu, que iniciaria a desapropriação.
“A doação do terreno estava condicionada a ter uma fábrica em funcionamento, com geração de empregos. Na nossa visão, houve uma quebra de contrato”, disse o prefeito Celso Florêncio à TV Vanguarda em julho.
Se a desapropriação for concluída, a prefeitura pretende calcular os investimentos públicos no complexo e leiloar a área para atrair outra indústria. A prefeitura disse ao g1 que aguardava o conselho para seguir com os procedimentos, “incluindo a eventual edição do decreto de desapropriação”, sem fechar a porta a uma proposta concreta da empresa.
O g1 e o OVALE procuraram a Caoa Chery e aguardavam resposta até a publicação. A montadora segue vendendo no país modelos como o Tiggo 9, lançado em outubro.
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