A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou nesta sexta-feira (30) que os questionamentos apresentados pela defesa de Daniel Vorcaro não comprovam que teria havido falha na perícia ou mesmo adulteração no conteúdo do celular do ex-banqueiro que foi apreendido pela Polícia Federal (PF) no ano passado.
A manifestação foi uma resposta às alegações da defesa do ex-banqueiro de que teria havido alteração nos arquivos do aparelho do ex-banqueiro após ele ser apreendido. "O questionamento apresentado pela defesa não constitui, por si só, comprovação de falha na produção da prova pericial.
A eventual identificação de modificações em registros digitais não significa necessariamente adulteração do conteúdo probatório, tampouco demonstra comprometimento de sua integridade", diz a nota divulgada pela entidade. Leia também: Em depoimento, Vorcaro diz ter 'convicção' de que negócio do Master com BRB deu lucro, mas é rebatido pela PF
A APCF ainda aponta que a defesa contratou um assistente técnico para analisar o conteúdo da extração do celular de Vorcaro, e que esse tipo de atuação faz parte do processo penal. "O documento apresentado pela defesa foi elaborado por um assistente técnico contratado para analisar os elementos probatórios sob a perspectiva de uma das partes, atuação legítima e prevista no processo penal.
No entanto, diferentemente do assistente técnico, o perito oficial exerce uma função pública de natureza técnico-científica, pautada pela autonomia, pela independência, pela imparcialidade e pela equidistância entre as partes, sem vieses que possam favorecer a acusação ou a defesa do investigado", segue o texto
Ontem, a defesa do ex-banqueiro alegou que a análise da perícia particular identificou que arquivos do aparelho teriam sido adulterados, mas não apontou se isso modificou algum diálogo ou outro conteúdo utilizado nas investigações. "Só no dia 18 de novembro de 2025, com o celular já apreendido, 657 arquivos foram modificados, 59 deles bancos de dados, e 436 arquivos foram criados, entre eles 94 imagens e 5 bancos de dados.
Um aparelho apreendido deve ser preservado, não alimentado ou editado", diz a nota, divulgada pela defesa de Vorcaro. O próprio laudo apresentado pela defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que não é possível, a partir do material analisado, determinar se houve intervenção humana nos arquivos do aparelho e pede que seja disponibilizado o conteúdo bruto da extração do celular de Vorcaro.
"Os registros identificados, considerados isoladamente, não permitem determinar quem operou o dispositivo, se os eventos decorreram de intervenção humana deliberada ou qual a natureza e a extensão das alterações realizadas", diz o documento assinado pelo perito assistente contratado pela defesa, Marcos Monteiro.
Na nota divulgada hoje, a APCF ainda aponta que "a divulgação de questionamentos técnicos como se representassem irregularidades comprovadas pode induzir a interpretações equivocadas sobre o trabalho pericial". A defesa de Vorcaro utilizou a perícia contratada para questionar a cadeia de custódia do celular apreendido e voltar a pedir a soltura do ex-banqueiro ao STF, que ainda não analisou o pedido.
Além disso, em depoimento de cerca de 2h27 min à Polícia Federal em 15 de outubro, Vorcaro foi indagado sobre diversos diálogos encontrados em seu celular e não questionou nenhum deles. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025
Victor Moriyama/Bloomberg
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