A dívida bruta do governo geral deve encerrar 2026 em 83,7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Tesouro Nacional. A projeção, divulgada nesta terça-feira (3) no Relatório de Riscos Fiscais da União, representa alta de 5,1 pontos percentuais em relação aos cerca de 78,6% de 2025.O indicador atingirá o pico de 89,7% em 2030 e recuará gradualmente.
O aumento vem principalmente da diferença entre os juros e o crescimento do PIB nominal. A dívida bruta do governo geral reúne os débitos do governo federal, do INSS e de estados e municípios.
Em setembro, o indicador estava em 82,9% do PIB, ou R$ 11,1 trilhões, segundo o Banco Central. Foram 4,3 pontos percentuais a mais desde o início do ano.
Os juros nominais elevaram a relação em 7,2 pontos no período, e o crescimento do PIB nominal a reduziu em 3,9 pontos. Em 12 meses, os juros somaram R$ 1,205 trilhão, ou 8,99% do PIB.
Cada ponto percentual a mais na Selic soma R$ 78,3 bilhões em despesas em 2027 e R$ 476 bilhões de 2027 a 2030. Cada ponto percentual de variação no crescimento real do PIB altera a arrecadação em R$ 16,6 bilhões, e a inflação, em R$ 15 bilhões.
O Relatório de Projeções Fiscais do Tesouro, de 30 de junho, previa 83,5% do PIB em 2026 e pico de 87,9% em 2029, segundo a página do Ministério da Fazenda. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também estimou 83,7% para o fim do ano no Informe Conjuntural de 28 de outubro.
Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da entidade, Mario Sergio Telles, o déficit primário em termos reais e os juros altos “devem fazer com que a dívida bruta suba mais de 5 pontos percentuais do PIB em apenas um ano”.
Diario do poder