247 – A ditadura do Equador, chefiada por Daniel Noboa, prendeu, na madrugada de quinta-feira (22), a ex-candidata à Presidência Luisa González, uma das principais lideranças da oposição progressista. Segundo a agência EFE, a detenção ocorreu em Canuto, na província de Manabí, em uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro na campanha presidencial de 2023.
O movimento Revolução Cidadã denuncia perseguição política e responsabiliza o governo pela prisão. González enfrentou Noboa no segundo turno das eleições presidenciais de 2023 e 2025.
Sua prisão acontece a pouco mais de cinco semanas das eleições locais de 29 de novembro, das quais a Revolução Cidadã está impedida de participar em razão de uma suspensão determinada pela Justiça Eleitoral. A dirigente também teve frustrada a tentativa de disputar o comando provincial de Manabí por outra organização política.
A operação foi conduzida pela Polícia Nacional e pelo Ministério Público equatoriano no âmbito do caso denominado Laberinto. As autoridades informaram que cumpriram três ordens de detenção nas províncias de Manabí e Pichincha para apresentar acusações por suposta lavagem de dinheiro.
A investigação examina a origem dos recursos utilizados na publicidade eleitoral de 2023. González rejeita acusação e denuncia ataque às liberdades
Em mensagem divulgada após a prisão, González rejeitou a acusação e afirmou que sua detenção integra uma ofensiva contra os adversários de Noboa. “O ataque às liberdades e a perseguição política são uma realidade permanente na ditadura de Noboa”, declarou.
A dirigente também pediu união às forças progressistas e afirmou que responderá às acusações. A presidente da Revolução Cidadã, Gabriela Rivadeneira, exigiu a libertação da ex-candidata e atribuiu responsabilidade política ao governo.
Em entrevista coletiva em Quito, argumentou que a prisão se refere a um processo já examinado pela Justiça Eleitoral e questionou a abertura da frente criminal às vésperas da votação. O ex-presidente Rafael Correa, principal referência política do movimento, também reagiu nas redes sociais.
“Prenderam Luisa González. Já chega!”, escreveu, em tradução do espanhol.
Correa governou o Equador entre 2007 e 2017 e é aliado da dirigente. Defesa denuncia restrições de acesso
Nas primeiras horas após a operação, a Revolução Cidadã denunciou que as autoridades não haviam informado o local da detenção nem permitido o acesso dos advogados à ex-candidata. A organização afirmou ter acionado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos para solicitar medidas cautelares e responsabilizou o Estado pela integridade física de González.
Posteriormente, o portal equatoriano Primicias confirmou que ela havia sido levada ao Quartel Modelo, uma instalação policial em Guayaquil. Apoiadores e dirigentes se concentraram no entorno do prédio, onde houve reforço do policiamento.
O vice-presidente da Revolução Cidadã, Francisco Estarellas, relatou naquele momento dificuldades para estabelecer contato com a dirigente. A audiência de apresentação das acusações começou em Quito no fim da noite de quinta-feira, depois de uma tentativa frustrada por problemas de conexão com os detidos.
Segundo atualização do Primicias publicada à 0h11 desta sexta-feira (23), no horário equatoriano, a sessão havia sido instalada. Ainda não há informações sobre uma decisão acerca das medidas cautelares.
Prisão provoca reação de organizações internacionais A detenção também mobilizou organizações de direitos humanos e lideranças progressistas da região.
A diretora da divisão das Américas da Human Rights Watch, Juanita Goebertus, manifestou preocupação com a prisão em um contexto eleitoral marcado por mudanças de calendário e suspensão de partidos. Ela cobrou garantias de defesa e respeito ao devido processo.
O Grupo de Puebla condenou a operação e pediu esclarecimentos sobre seus fundamentos, além da libertação da dirigente caso não exista base legal para mantê-la presa. A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador também questionou o procedimento e defendeu independência e transparência na atuação judicial.
A disputa judicial ocorre enquanto a oposição tenta superar os obstáculos à participação nas eleições locais. Suspensa por nove meses em março, a Revolução Cidadã buscou alianças para apresentar seus integrantes por outras legendas.
González tentou concorrer à prefeitura provincial de Manabí pelo movimento indígena Pachakutik, mas sua inscrição foi rejeitada pela Justiça Eleitoral.
Brasil 247