247 – Na tarde de segunda-feira (26), a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, rechaçou o que chamou de “política como espetáculo” e defendeu as recentes rodadas de diálogo com setores da oposição. As declarações foram dadas à imprensa durante a inauguração de um novo serviço integral de especialidades médicas para mulheres, na capital venezuelana.
As informações são da teleSUR. “A política como espetáculo deve acabar, porque a política é algo muito sério”, afirmou Rodríguez.
Ela ressaltou que as decisões públicas exigem responsabilidade devido ao seu impacto direto na sociedade. “Qualquer decisão que tomemos afeta a vida de uma população”, advertiu, defendendo que ações baseadas no conhecimento e na experiência beneficiam a todos.
Questionada sobre a entrada no país da dirigente de oposição extremista María Corina Machado, a presidenta encarregada minimizou o episódio e criticou a espetacularização do caso. “Se ela e seus organizadores agiram daquela maneira, algum objetivo devem estar buscando”, avaliou.
Rodríguez aproveitou para destacar as novas estruturas transitórias nos aeroportos, destinadas a receber os beneficiários da Lei de Anistia. Segundo ela, as instalações têm sido bem avaliadas pela população por integrarem um processo de convivência pacífica, pedindo calma e ponderando que “há tantas estruturas” voltadas a esse fim.
Diálogo político e recuperação de ativos – Como parte desse esforço de convivência, Rodríguez detalhou o andamento das conversas com a Assembleia Nacional de 2015. O Palácio de Miraflores já sediou três rodadas de diálogo construtivo, que contaram com a presença de representantes da oposição, como Dinorah Figuera, e do presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez.
O objetivo dos encontros, segundo a chefe de Estado, é promover reformas políticas e judiciais, além de viabilizar o desbloqueio e a recuperação integral dos ativos e recursos financeiros venezuelanos mantidos no exterior. O ouro ocupa um lugar central nessa pauta.
A proposta do governo é criar um acompanhamento para recuperar o metal e outros bens retidos, garantindo que o Estado exerça pleno controle sobre eles e os destine ao desenvolvimento nacional. A presidenta manifestou confiança na continuidade desses espaços de diálogo como motor para uma transformação profunda no país, garantindo que todas as vozes “comprometidas com o bem” sejam ouvidas.
No entanto, estabeleceu uma condição para a participação política: aqueles que no passado solicitaram sanções e agressões externas contra a Venezuela devem demonstrar arrependimento. “Este país é muito maior do que qualquer pessoa”, declarou, cobrando uma mudança de postura para que esses atores possam contribuir com a nação.
Justiça e cenário internacional – Desde janeiro, após episódios que classificou como bombardeio externo e agressão militar, Rodríguez defende que a Venezuela necessita de uma “nova espiritualidade”. No âmbito interno, ela garantiu que o governo trabalha por uma Justiça independente e transparente, com o objetivo central de não criminalizar a pobreza.
“As principais vítimas da Justiça na Venezuela são os pobres, e eu peço pelos pobres deste país”, pontuou. Ao falar sobre o clima político, a presidenta encarregada relembrou sua própria trajetória — afirmando ter sido perseguida politicamente junto com sua família quando era criança — para assegurar que, atualmente, não há perseguição política na Venezuela.
Ela apresentou essa garantia como uma das características da nova fase do país. No cenário internacional, Delcy Rodríguez aproveitou a ocasião para parabenizar o presidente reeleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o povo brasileiro.
Para ela, o resultado demonstra que as sociedades da América Latina rejeitam os extremismos e fanatismos, ajudando a consolidar uma nova espiritualidade de convivência regional. Ao encerrar, reiterou o apelo para que os promotores de sanções revejam suas posições em prol da estabilidade e do crescimento venezuelano.
Brasil 247