A decisão da China nesta terça-feira (20/10) de restringir a suspensão de compras de carnes de aves a Santa Catarina, após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no Estado, é um “importante reconhecimento das capacidades de vigilância sanitária e contenção do Brasil”, avaliou o Citi em relatório a clientes. Eles também disseram que o anúncio é “particularmente positivo para a MBRF”, dada a exposição da companhia às exportações de aves.
“Embora a regionalização continue sendo um resultado negociado, e não uma disposição inequívoca do protocolo bilateral [entre Brasil e China], a decisão de hoje estabelece um precedente encorajador. A formalização dessa abordagem representaria mais um marco para o setor”, disseram os analistas Renata Cabral e Luis Felipe Terzariol no relatório.
Os analistas lembraram que o reconhecimento internacional da regionalização sanitária, buscado pelo Brasil há anos, vinha ocorrendo de forma gradual no caso da China. Em 2024, quando foi confirmado um caso da Doença de Newcastle em granja comercial no Rio Grande do Sul, o país asiático manteve suspensão a compras de carne de aves de todo o Brasil, limitando a restrição ao Estado somente 26 dias depois.
+Brasil deve sofrer restrições de principais importadores de produtos avícolas No ano passado, quando foi confirmado o primeiro e único foco de gripe aviária em granja comercial no Brasil, também no Rio Grande do Sul, os chineses aplicaram a suspensão às compras de produtos oriundos de todo o território nacional e mantiveram as restrições por aproximadamente seis meses.
Os analistas do Citi avaliaram o anúncio da China desta terça, de aplicar a restrição apenas a Santa Catarina, como “particularmente positivo para a MBRF”, dada a exposição da empresa às exportações de aves e as possíveis consequências das restrições comerciais em todo o país. Eles pontuaram que, historicamente, as suspensões de exportação por questões sanitárias aumentaram o risco de excesso de oferta no mercado interno, pressionando os preços e as margens das operações de aves.
“O impacto financeiro imediato dependerá da duração das restrições e da capacidade de redirecionar os volumes afetados, mas a implicação mais ampla é claramente positiva: o setor avícola brasileiro deu um passo importante para reduzir sua vulnerabilidade a futuras interrupções sanitárias”, disseram os analistas.
Tendo em vista que Santa Catarina reúne 14 das 61 plantas produtoras de carnes de aves habilitadas a exportar para a China, a possibilidade de continuar abastecendo o mercado chinês a partir das outras 47 plantas “limita substancialmente o potencial de disrupção”, conforme os analistas do Citi.
A China foi o destino de cerca de 10% das exportações brasileiras de frango em nove meses do ano de 2026, lembrou o Citi. Já Santa Catarina participou com aproximadamente 23% do volume e 25% da receita das exportações de janeiro a maio deste ano.
Globo Rural