De Calheiros e Barbalho a Alcolumbre e Motta: com dinastias em declínio, nomes de peso fracassam nas urnas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O resultado eleitoral deste domingo demonstrou o declínio de dinastias tradicionais da política brasileira. Entre as derrotadas estão as famílias Calheiros, em Alagoas, e Barbalho, no Pará. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União), também não conseguiram emplacar aliados na Paraíba e no Amapá, respectivamente. Alesp: PL sobe de 19 para 27 deputados e federação do PSDB conquista apenas uma vaga De Edmundo a Vanderlei Luxemburgo: Veja quem se elegeu e quem perdeu entre os candidatos do mundo do futebol Em Alagoas, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) e o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), impuseram derrota histórica à família Calheiros. O clã teve o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano. Lira derrotou o senador Renan Calheiros (MDB), seu rival político no estado. O senador buscava o quinto mandato consecutivo na Casa. Já JHC venceu Renan Filho (MDB) na disputa pelo governo estadual. Caciques derrotados Editoria de arte JHC conquistou 52,1% dos votos válidos, contra 47,5% de Renan Filho. Na disputa ao Senado, Lira alcançou 28,9% dos votos válidos, ocupando a liderança. A segunda vaga ficou com Marina JHC (PSDB), mulher do governador eleito ontem, que teve 28,2%. Renan Calheiros, por sua vez, conquistou 22,2%. No Pará, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) falhou em eleger Hana Ghassan (MDB). A antiga vice assumiu o Executivo estadual após Barbalho deixar a cadeira para disputar o Senado este ano. Reeleição prejudicada A eleição ao governo do Pará foi vencida por Dr. Daniel (Podemos), que marcou 51,5% dos votos válidos. A aliada de Helder teve 46,4%. O representante do clã Barbalho, por outro lado, conquistou uma cadeira no Senado. Ele foi eleito com 26,1% dos votos válidos. A segunda vaga ficou com Chicão (União), que marcou 22,4%. Barbalho é aliado do presidente Lula. Motta e Alcolumbre, por sua vez, viram seus aliados nos estados saírem derrotados ontem, apesar da força que eles têm por ocuparem as presidências da Câmara e do Senado. O resultado das urnas os enfraquece num momento em que buscam se reeleger à frente das respectivas Casas, em fevereiro de 2027. Além do poder efetivo de pautar as discussões no Legislativo, os dois presidentes têm controle da distribuição de valor expressivo das emendas parlamentares, grande ativo nas eleições, além de indicações de cargos estratégicos na estrutura federal que têm influência nos estados. O pai de Motta, o ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), buscava uma vaga no Senado, mas foi derrotado —foram eleitos Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que disputava a reeleição, e o ex-governador do estado João Azevêdo (PSB). Azevêdo teve 32,5% dos votos válidos, seguido de Veneziano, com 22,7%. Wanderley marcou 21%. Pelos planos iniciais de Motta, seria ele o candidato ao Senado, mas uma reviravolta na disputa pelo comando da Câmara, em 2024, alçou o deputado à sucessão de Lira. O cenário abriu caminho para que seu pai disputasse o Senado. Wanderley não tinha apoio formal do presidente Lula, o que rendeu queixas de Motta nos bastidores. No estado, o petista apoiava Veneziano e Azevêdo. Motta e o senador, inclusive, trocaram críticas públicas, com acusações de parte a parte. Alcolumbre, por sua vez, sofreu uma derrota dupla no Amapá: o governador Clécio Luís (União Brasil) perdeu o comando do estado no primeiro turno para o ex-prefeito Dr. Furlan (PSD), adversário do presidente do Senado. O placar foi 62,75% contra 36,97%. Randolfe fora Além disso, o senador Randolfe Rodrigues (PT), aliado de Alcolumbre que buscava a reeleição e estava na chapa de Clécio, foi derrotado. O presidente do Senado está no meio de seu mandato, então não concorreu neste ano. Ele buscava, no entanto, a vitória de seu grupo político, mirando sua reeleição em 2030. Essas derrotas geram desgastes a Motta e Alcolumbre, que estão sob pressão junto à opinião pública, com rejeição de suas imagens. Após o resultado, Alcolumbre afirmou, em nota, que recebe “com respeito” o resultado e que sua posição em defesa do estado “permanece”. “A democracia exige de todos nós serenidade para reconhecer a vontade popular e responsabilidade para continuar defendendo aquilo em que acreditamos (...). Seguiremos trabalhando para que o nosso estado tenha um futuro de desenvolvimento, segurança e oportunidades para todos”, diz o texto.

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