Um levantamento intitulado “Observatório das Big Techs”, feito pelo NetLab UFRJ, mostra que 568 anúncios eleitorais foram publicados de forma irregular nas plataformas da Meta (Instagram, Facebook, WhatsApp, Messenger e Audience Network) durante o chamado período de resguardo – entre 48 horas antes e 24 horas depois das eleições - em que as plataformas não podem publicar anúncios políticos, de acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados foram divulgados neste domingo (4).
Pelo menos seis desses anúncios simulavam campanhas falsas do TSE, com contas que se passavam por perfis oficiais do Tribunal, incluindo nomes e elementos visuais associados à Justiça Eleitoral. Todos divulgavam a falsa possibilidade de votar remotamente, pelo celular e de casa. A justificativa era de que o eleitor poderia usar a votação on-line em ocasiões nas quais não pudesse ir presencialmente às urnas, como chuvas torrenciais ou problemas de saúde. Em alguns casos, mostra o relatório, os anúncios redirecionavam o usuário para um site que solicitava o CPF do usuário para iniciar a suposta votação.
Uma das questões centrais, afirma os autores, é a falta de uma definição clara entre os limites da publicidade comercial e da comunicação político-eleitoral, especialmente durante o período de resguardo. Eles ilustram essa questão com o anúncio de uma casa de vinhos que remetia à loja on-line da marca que, por sua vez, continha referências de apoio explícito ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
No Kwai foram identificados 18 anúncios eleitorais ativos, além de 4 em pausa no repositório de publicidade da plataforma, mas sem esclarecimentos adicionais sobre as diferenças entre essas categorias e a de inativos. O NetLab UFRJ também identificou 45 anúncios cuja circulação fora estendida até domingo, dia da votação. Na infraestrutura de publicidade do Google um anúncio permanecia ativo de forma irregular no sábado (3), com um candidato veiculando anúncios irregularmente.
No caso da recomendação algorítmica, as plataformas seguiram recomendando conteúdos de contas oficiais de candidaturas aos eleitores no dia da votação, com o risco de gerar assimetrias na visibilidade de candidaturas, alerta o boletim. O NetLab UFRJ é o laboratório de pesquisa acadêmica da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Alejandro Zambrana/Secom/TSE
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