Danilo Mesquita será visto, a partir de amanhã, como Raimundo Gerardo, o vaqueiro mais famoso da fictícia Lavra Seca, cidade nordestina que ambienta a nova novela das seis, “Lá na minha terra”. Fora da ficção, o ator também tem uma relação próxima com a região.
Nascido em Salvador, ele cresceu cercado por referências familiares do interior da Bahia. Para interpretar o personagem, no entanto, precisou se aprofundar numa realidade diferente da sua.
Aos 34 anos, ele celebra o posto de protagonista da trama. 'Lá na minha terra': conheça a história e o elenco da nova novela das seis da Globo
Lázaro Ramos se despede do vilão Jendal de ‘A nobreza do amor’: ‘Ficava com frio na barriga antes de cada cena’ — Construí cada tijolinho para chegar até aqui.
A carreira de um artista é para a vida inteira. Estamos sempre começando, tentando e aprendendo algo novo.
Ser protagonista de uma novela tão bonita é uma responsabilidade grande, mas me sinto preparado em todos os sentidos, técnica e emocionalmente. Sou completamente apaixonado pelo personagem, dedicado ao que faço...
E ainda me divirto — diz o ator, que, para viver o vaqueiro, precisou superar o trauma de montar a cavalo, depois de ter caído de um num trabalho anterior, e ainda aprender a conquistar a confiança do animal. Nesta entrevista, Danilo fala sobre um amor imenso pelos avós (Sônia e Aguinaldo), a saudade de Salvador, sua fé nas religiões de matriz africana, a forma como se relaciona amorosamente e mais!
Você nasceu no Cabula, na região central de Salvador, e cresceu bem próximo da sua família, diferentemente de seu personagem, que é órfão. Quais são as lembranças mais fortes da sua infância na Bahia?
Minhas maiores lembranças hoje também são as maiores saudades: meus avós, que faleceram recentemente e foram os grandes amores da minha vida. Eles me criaram e compraram a casa onde minha família mora há muito tempo.
Estou no mundo para honrar a existência deles e toda a educação que me deram. Sempre torceram por mim e eram meus maiores fãs.
Sei que, onde estiverem, estão felizes com esse momento da minha vida. Você saiu de Salvador aos 17 anos e veio para o Rio de Janeiro para trabalhar como modelo.
Como foi começar uma vida nova tão jovem? Foi tudo muito rápido.
Uma pessoa me viu e me chamou para trabalhar como modelo no Rio. A princípio, não me interessei, porque não era algo que eu sonhava.
Mas minha família é de axé, houve uma reunião em casa e recebi um recado muito bem dado de que aquele era o caminho que eu deveria seguir. Quando cheguei aqui, em duas semanas comecei a estudar teatro.
Minha carreira como modelo não durou nem dois meses, porque logo me apaixonei pela interpretação e me descobri artista. Sempre foi difícil, e ainda é, estar longe de Salvador.
Hoje, tenho até uma espécie de trauma de fazer malas. Mesmo quando vou viajar feliz para a Bahia, o ritual de arrumar as coisas me traz tristeza e angústia.
Eu estava acostumado a viver cercado de amor e cuidado e, meses depois, estava sozinho em outro estado, sem uma rede de afeto. Precisei construir tudo isso.
Foi difícil, mas importante para meu amadurecimento. Eu faria tudo de novo.
Qual a religião da sua família? Umbanda.
Meu avô esteve à frente de uma casa durante 25 anos. Tenho amor e muito respeito pela umbanda, que me acompanha desde criança.
Hoje, porém, também me cuido no candomblé, uma religião que escolhi para mim depois de adulto, com muito amor e carinho. Danilo Mesquita em ensaio de fotos exclusivo para a Canal EXTRA
Catarina Ribeiro Você enfrentou dificuldades financeiras no início da carreira?
Durante dois anos, a ajuda financeira da minha família diminuiu bastante por causa das condições que eles tinham, e precisei me virar. Digitei teses de mestrado para colegas que não queriam fazer esse trabalho, fui assistente de fotógrafo e fiz vários outros serviços para ganhar R$ 50 ou R$ 100 por diária.
Minha mãe mandava apenas o dinheiro das contas. Todo o restante, como transporte, mercado e outras necessidades, eu arranjava fazendo bicos.
Durante um período, achei que minha carreira não fosse acontecer. Morava na Penha (Zona Norte do Rio) e não conseguia me inserir no mercado.
Até que, durante uma semana, fiz testes para todas as novelas que a Globo estava preparando e passei em “I love Paraisópolis”. Dali em diante, não parei mais.
Por isso, dou valor a minha carreira. Raimundo Gerardo, seu papel, tem dificuldade de acessar as próprias emoções.
E você? Sou emocionado! Não tenho dificuldade, sou uma pessoa muito sensível e transparente.
Raimundo teve uma história diferente demais da minha. Ainda criança, viu o pai bater na mãe (ambos já mortos na trama) e precisou trabalhar desde novinho.
Não teve alguém para acolhê-lo. Precisou criar uma dureza para sobreviver.
Mas ele não perdeu a sensibilidade, o sorriso e o bom humor. Também é um poeta do sertão.
Quando se apaixona por Maria Lina (Arianne Botelho), fala coisas lindas, diz que ela é mais bonita do que qualquer estrela no céu. O personagem vive um triângulo amoroso ao disputar Maria Lina com Daniel (Jesuita Barbosa).
Já passou por uma situação semelhante? Nunca.
Estabeleço bem minhas relações. Raimundo e Maria Lina vivem um amor puro.
Eles são o primeiro amor da vida um do outro. Quando se encontram, vejo essa relação como uma cura.
Raimundo Gerardo (Danilo Mesquita) trabalha na fazenda de Almerindo Mourão em ‘Lá na Minha Terra’ Beatriz Damy/Rede Globo/divulgação
O que o amor tem ensinado a você? Para mim, o amor é tudo o que temos para viver.
Mas amar também é dizer não, é se despedir e, às vezes, ir embora. Precisei pedir a Deus que levasse alguns dos maiores amores da minha vida porque eles estavam sofrendo.
E isso também é um ato de amor. Sou uma pessoa que pauta a própria existência pelo amor.
Tudo o que faço parte desse sentimento, mesmo quando preciso brigar, dizer não ou seguir outros caminhos. Seu relacionamento com Anitta desperta a curiosidade do público.
Desde que começaram a ser flagrados juntos, em agosto deste ano, e principalmente depois que você a acompanhou na coroação da Grande Rio, os fãs querem saber mais sobre o envolvimento. No início deste mês, no entanto, saiu a notícia de que vocês teriam se afastado.
Como lida com o interesse das pessoas sobre o assunto? Entendo e compreendo.
Tenho uma vida pública, então é natural que as pessoas observem e queiram saber sobre ela. Respeito bastante essa curiosidade.
Mas acredito que todo mundo entenda que eu também gosto de preservar aquilo que é pessoal. Minha vida pública existe por causa do meu trabalho, então gosto que as pessoas me conheçam principalmente pela arte que faço.
Vivendo romance, Anitta e Danilo Mesquita posam juntos pela primeira vez Paulo de Deus/Planeta Noite
Você está feliz? Demais! É um grande momento.
Estou feliz tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Como cuida da saúde mental?
Me cobro bastante, mas tento lidar com isso de maneira saudável. Faço terapia, que me ajuda muito a organizar essa tendência de exigir demais de mim.
Sou disciplinado, pontual e muito comprometido com minhas obrigações, mas também entendo que a profissão exige frescor e leveza. Como é sua relação com a autoestima? Você se considera galã?
Tem momentos. Há dias em que acordo e não me sinto bonito, assim como existem dias em que me sinto bem, inteligente....
Mas não deixo que isso controle minha existência. Também não vou dizer que não sou um homem bonito.
Falo isso com tranquilidade. O que importa é quem você é e o que constrói como ser humano e artista.
Isso me interessa muito mais. De qualquer maneira, adoro me vestir bem, cuidar de mim, do meu corpo, estar cheiroso e ouvir elogios, como todo mundo.
Danilo Mesquita em ensaio de fotos exclusivo para a Canal EXTRA Catarina Ribeiro
Quais são os cuidados que você costuma ter? Recentemente, comecei a usar protetor solar no rosto, algo que não fazia antes.
Gosto muito de moda, de estar bem vestido e até compro roupa demais. Também adoro treinar e cuidar do corpo, não apenas pela estética, mas pela saúde.
Sempre joguei futebol e pratiquei esportes, então sou uma pessoa bastante ativa. Isso me faz muito bem.
É ótimo, inclusive, para a autoestima. Você vive Guido Schäffer (um médico, surfista e seminarista católico brasileiro, conhecido como Santo Surfista) num filme previsto para o próximo ano.
Como foi esse trabalho? Me transformou.
Ele tem uma trajetória linda, devotos e pessoas que atribuem milagres a ele. É um homem que está prestes a ser santificado.
Existe uma responsabilidade grande em interpretar alguém assim. Foi também um trabalho muito espiritual.
Na época, eu tinha perdido meu avô, e minha avó estava muito doente. Ela acabou ficando muito devota de Guido.
Apesar de eu não ter recebido uma educação cristã e não ser cristão, digo que ele me apresentou mais um caminho para chegar a Deus. É a história de um homem que dedicou a vida a cuidar do outro e não fazia distinção entre as pessoas.
Para mim, foi uma verdadeira aula de humanidade. Quais são seus próximos sonhos pessoais e profissionais?
Tenho muitos. Quero construir minha família, ser pai, viajar pelo mundo e continuar contando histórias bonitas.
Também desejo fazer um personagem que é um grande sonho meu no cinema, mas ainda não posso falar sobre ele. Planejo começar a produzir meus próprios projetos e dirigir.
Minha vontade é a de assumir cada vez mais as rédeas da minha carreira. Também tenho três discos prontos para lançar.
Não abro mão de estar sempre perto da minha família e dos meus amigos. E também quero ter uma casa no campo.
Créditos: Fotos: Catarina Ribeiro | @catarinaribeir.o
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