Em depoimento de cerca de duas horas, Daniel Vorcaro negou fraudes bancárias, pediu para responder à investigação em casa e questionou as perdas apontadas pela PF Daniel Vorcaro negou ter cometido fraudes bancárias e pediu um voto de confiança à delegada responsável pela investigação sobre as operações do Banco Master com o BRB (Banco Regional de Brasília).
Em depoimento à PF (Polícia Federal), o ex-banqueiro também defendeu o arquivamento do inquérito e solicitou autorização para responder às apurações em casa. A manifestação ocorreu antes de Vorcaro ser indiciado com outros 14 investigados.
O depoimento ocorreu em 15 de outubro, foi conduzido pela delegada Janaína Palazzo e durou cerca de duas horas. Na ocasião, Daniel Vorcaro afirmou que não existiam provas de fraude e pediu o arquivamento da investigação.
Ele também defendeu a realização de uma perícia independente para analisar as operações e verificar se houve prejuízo financeiro. Segundo o ex-banqueiro, sua participação ocorreu de boa-fé, com o objetivo de resolver um problema envolvendo a troca de ativos da Tirreno.
Durante a oitiva, Vorcaro ainda questionou os motivos de permanecer preso e pediu para aguardar o andamento das apurações em casa. Ao final, elogiou o trabalho da delegada e solicitou um voto de confiança, dizendo que não havia cometido irregularidades.
Em 28 de outubro, a PF concluiu o indiciamento de Vorcaro e outros 14 investigados na primeira fase da Operação Compliance Zero. Conforme o relatório, o ex-banqueiro teria participado diretamente das operações com carteiras de crédito irregulares do Banco Master e ocupado uma posição central nas decisões investigadas.
Uma das empresas mencionadas na investigação é a Tirreno, apontada pelos investigadores como uma estrutura de fachada utilizada para transferir créditos fictícios ao BRB. O indiciamento não representa uma condenação judicial, mas a conclusão da investigação policial sobre os indícios de participação nos crimes.
Segundo os investigadores, as perdas relacionadas às operações chegam a aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Parte do valor estaria ligada a carteiras de crédito inexistentes registradas em nome da Tirreno.
A defesa de Vorcaro, porém, contesta a existência do prejuízo. Após os indiciamentos, os advogados afirmaram que as operações entre o Banco Master e o BRB não provocaram perdas ao banco público.
Segundo os representantes do ex-banqueiro, as carteiras inicialmente negociadas foram substituídas por outros ativos, e a operação teria produzido resultados positivos para o BRB. A defesa também criticou o andamento das apurações e argumentou que não houve perícia oficial comprovando os prejuízos apontados pela PF.
Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil. Formada em jornalismo pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), iniciou sua trajetória na comunicação em 2023.
Tem experiência em reportagem, apuração, entrevistas e produção de conteúdo digital, com atuação em diferentes formatos jornalísticos e acompanhamento de temas de interesse público. Leia mais ▾
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