A Audi reduziu suas projeções para o ano e prometeu intensificar medidas voltadas para aumentar a competitividade, em um cenário de deterioração das condições de mercado. A montadora alemã, que integra o Grupo Volkswagen, tem trabalhado para cortar custos e tornar-se mais eficiente.
No entanto, a empresa informou nesta sexta-feira que ampliará essas ações, após registrar uma queda acentuada nas entregas de veículos, na receita e no lucro operacional nos primeiros nove meses do ano. No ano passado, a Audi encerrou as atividades de sua fábrica em Bruxelas e anunciou planos para eliminar até 7.500 postos de trabalho nos próximos anos.
Paralelamente, a companhia adotou medidas para elevar a produtividade, a agilidade e a flexibilidade em suas unidades na Alemanha, visando uma economia superior a 1 bilhão de euros (US$ 1,12 bilhão) anuais a médio prazo, como forma de enfrentar desafios como as tarifas impostas pelos EUA e a intensa concorrência na China.
A empresa também promoveu uma renovação em seu portfólio de modelos, lançou a marca AUDI — exclusiva para o mercado chinês — e planeja o desenvolvimento de novos veículos adaptados aos seus principais mercados. Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (30), a Audi informou que está reduzindo ainda mais os custos e a complexidade, ampliando significativamente a eficiência em toda a sua operação e direcionando investimentos para áreas de crescimento futuro.
Isso inclui novos produtos, tecnologias — como software, inteligência artificial e sistemas de assistência ao motorista — e a expansão em mercados estratégicos. "Encaramos a atual conjuntura econômica como um mandato para renovar a Audi de forma consistente", afirmou o CEO Gernot Doellner.
"Para isso, estabelecemos prioridades claras: reduzir custos e, ao mesmo tempo, elevar a qualidade e a produtividade." A empresa enfrenta uma desaceleração do mercado na China, uma concorrência cada vez mais acirrada e uma pressão crescente por parte de marcas chinesas na Europa.
A transição para veículos elétricos no continente europeu também intensifica os desafios competitivos e de transformação. Além disso, o aumento dos custos de energia — reflexo do conflito no Oriente Médio —, as tarifas dos EUA e a transição da marca para uma nova linha de veículos de entrada têm impactado negativamente os resultados, segundo a companhia.
A Audi também está trabalhando para adaptar novos modelos aos seus principais mercados e, há poucos dias, anunciou planos para estabelecer sua primeira unidade produtiva nos Estados Unidos, investindo US$ 4 bilhões em uma fábrica projetada para produzir até 200 mil veículos por ano a partir da década de 2030.
Com essa unidade, a Audi planeja impulsionar seu crescimento no país por meio de um SUV premium fabricado localmente e desenvolvido sob medida para os consumidores norte-americanos. A empresa informou que serão desenvolvidas medidas adicionais para garantir a competitividade e a manutenção dos empregos em suas unidades na Alemanha, as quais serão discutidas com os representantes dos trabalhadores.
"Há uma necessidade urgente de agir na Audi", afirmou o diretor financeiro (CFO) Juergen Rittersberger. "O cenário tornou-se significativamente mais desafiador, especialmente no terceiro trimestre.
Nossas medidas estão surtindo efeito, mas, diante da imensa pressão competitiva, precisamos intensificá-las." O Grupo Audi — que engloba as marcas Audi, Bentley, Lamborghini e Ducati — informou que agora espera uma receita, para este ano, entre 55 bilhões e 59 bilhões de euros; a projeção anterior era de 58 bilhões a 63 bilhões de euros.
A margem operacional está estimada, agora, entre 3% e 5% — anteriormente, a previsão era de 5% a 7%. O fluxo de caixa líquido está projetado entre 2,5 bilhões e 3,5 bilhões de euros, ante a estimativa anterior de 3 bilhões a 4 bilhões de euros.
Nos primeiros nove meses do ano, a empresa registrou um lucro operacional de 1,15 bilhão de euros — uma queda em relação aos 1,56 bilhão de euros obtidos no mesmo período do ano anterior —, enquanto a receita recuou 13%, totalizando 42,06 bilhões de euros. A margem operacional ficou em 2,7% (ante 3,2% anteriormente), e o fluxo de caixa líquido atingiu 2,44 bilhões de euros.
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