Pouco se fala do humor na literatura de Jorge Luis Borges. Do quanto suas narrativas guardam, sob o alicerce das construções labirínticas, nos meandros da dimensão filosófica, finas doses de ironia e cores satíricas.
Vide o conto “Pierre Menard, autor do Quixote”, que integra a antologia “Ficções”, no qual o escritor argentino caçoa das convenções de autoria a partir do clássico de Miguel de Cervantes, oferecendo um viés sarcástico sobre a crítica literária e o pedantismo acadêmico. A verve humorística de Borges o levou, inclusive, a inventar um pseudônimo literário com o amigo Adolfo Bioy Casares, de modo a extrapolar o fel que seus textos mantinham a conta-gotas.
Nos escritos de H. Bustos Domecq, a comicidade adquire um tom anárquico, incorporando nonsense e paródia das histórias policiais para zombar abertamente da alta sociedade, dos intelectuais esnobes, dos modismos e das vanguardas artísticas.
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O Globo