247 – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta uma grave crise política após o próprio partido, a Associação Nacional Republicana (ANR), conhecido como Partido Colorado, anunciar apoio ao seu impeachment. A decisão foi comunicada pelo presidente da legenda, Horacio Cartes, em meio às denúncias envolvendo o Banco Ueno, instituição financeira que teve sua dissolução anunciada na terça-feira (3).
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (5), o posicionamento do Partido Colorado amplia a pressão sobre Peña, que enfrenta um pedido de destituição apresentado por 35 deputados. O presidente paraguaio é questionado por suas ligações com o Banco Ueno, do qual foi acionista por meio da Ueno Holding até 2025, e por suspeitas de favorecimento à instituição financeira.
Ao anunciar o apoio ao processo de impeachment, Horacio Cartes afirmou que a legenda não pretende respaldar práticas que comprometam recursos públicos e privados. “Não estaremos do lado do roubo dos fundos públicos”, declarou o dirigente partidário.
Partido Colorado defende afastamento de Peña Em comunicado oficial, Cartes vinculou o apoio ao impeachment à necessidade de preservar as instituições paraguaias e os interesses da população.
A manifestação representa uma mudança importante no cenário político, uma vez que parte da própria base partidária do presidente passa a defender sua destituição. “Como presidente da Associação Nacional Republicana, não estaremos do lado do roubo dos fundos públicos, privados e dos reformados; devemos pensar nas pessoas e nos valores que defendemos a partir do Partido Colorado.
Acompanhamos o processo de impeachment ao presidente da República, Santiago Peña, com o objetivo de voltar a reencaminhar a institucionalidade da República”, afirmou Cartes, em nota. O posicionamento da direção partidária ocorre quando a Câmara dos Deputados se prepara para analisar a abertura do processo contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
A sessão extraordinária deverá definir se a proposta reúne apoio suficiente para avançar ao Senado. Câmara precisa reunir 54 votos para abrir processo
O pedido de impeachment foi apresentado por um grupo de 35 parlamentares, mas sua aprovação depende de uma maioria qualificada. Para que o processo seja instaurado, são necessários 54 votos, equivalentes a dois terços da Câmara dos Deputados.
Caso esse número seja alcançado, o procedimento seguirá para o Senado paraguaio. Nessa etapa, também será exigida uma maioria de dois terços para que o presidente seja efetivamente destituído do cargo.
O presidente da Câmara, Raúl Latorre, afirmou à imprensa paraguaia que a maioria dos deputados apoia o impeachment de Santiago Peña. Segundo ele, entretanto, não existe o mesmo consenso em relação ao afastamento do vice-presidente Pedro Alliana.
Essa diferença de posicionamento poderá influenciar o andamento da crise institucional, já que os parlamentares deverão avaliar separadamente as responsabilidades atribuídas aos dois integrantes do Executivo. Ligações com Banco Ueno estão no centro das acusações
A crise política ganhou força após a dissolução do Banco Ueno, apontado como o maior banco digital do Paraguai. A instituição foi alvo de acusações de manipulação patrimonial, desencadeando questionamentos sobre sua administração e suas relações com autoridades do governo.
Peña manteve participação acionária na Ueno Holding, grupo controlador do banco, até 2025. Esse vínculo passou a ser questionado por parlamentares diante das suspeitas relacionadas à atuação da instituição financeira.
Os deputados responsáveis pelo pedido de impeachment também acusam o presidente de ter promovido alterações na legislação sobre conflitos de interesses para permitir a concentração de recursos da previdência social no Banco Ueno. A acusação coloca no centro da controvérsia a relação entre decisões do governo e os interesses de uma instituição financeira à qual Peña esteve anteriormente vinculado.
As suspeitas, contudo, ainda dependem de apuração e não representam, por si só, comprovação de irregularidades cometidas pelo presidente. Crise bancária ameaça continuidade do governo
A adesão da direção do Partido Colorado ao impeachment aumenta a pressão política sobre Santiago Peña e poderá ser decisiva para a formação da maioria necessária à abertura do processo. Além das acusações relacionadas ao Banco Ueno, o governo enfrenta questionamentos sobre a gestão de recursos previdenciários e os mecanismos de prevenção de conflitos de interesses na administração pública.
A sessão extraordinária da Câmara será determinante para o futuro imediato do presidente paraguaio. Se os deputados aprovarem a abertura do processo, caberá ao Senado decidir se as acusações justificam sua destituição.
Até o momento retratado na reportagem original, não havia informação sobre uma votação concluída nem sobre decisão definitiva de afastamento de Peña.
Brasil 247