Cotado à Fazenda, Fontelles une devoção a Lula, fé e ajuste fiscal

Cotado à Fazenda, Fontelles une devoção a Lula, fé e ajuste fiscal - Foto
Fonte da notícia: Metropoles Metropoles

Cotado para o Ministério da Fazenda, o governador do Piauí, Rafael Fontelles (PT), 41 anos, tem o presidente Lula como ídolo, é considerado um homem de missão e, como católico fervoroso, costuma enxergar as oportunidades como destino. Por isso, se for convidado a assumir a pasta, não deverá recusar, mesmo que isso lhe custe renunciar ao mandato para o qual foi eleito, apostam pessoas próximas a ele.

Mas não se engane. Quem conhece Fontelles diz que sua devoção ao presidente Lula — e não ao PT — não significa subserviência cega.

Quando era secretário da Fazenda de Wellington Dias (PT), no governo do Piauí, apresentou um plano de ajuste econômico e ouviu como resposta que as medidas seriam politicamente desgastantes. Retrucou que o desgaste maior seria não adotá-las e avisou que preferia deixar o cargo caso a opção fosse outra.

Conseguiu convencer o então governador. Para o ajuste, contou com o apoio de Brasília.

O Piauí foi o segundo estado do país a contratar mais empréstimos com garantia do governo federal entre 2023 e 2025, num total de R$ 16,1 bilhões, atrás apenas de São Paulo. No mercado financeiro, Fontelles é visto como uma aposta, justamente por ainda não ter sido testado no comando da economia nacional, embora tenha presidido o Confaz, conselho que reúne os secretários de Fazenda dos estados, durante o governo Bolsonaro.

Habilidoso, Fontelles é do tipo que dialoga e sabe equilibrar pratos, uma vantagem num ambiente político tão polarizado. Sob sua gestão, o Piauí colheu bons resultados em educação, saúde, infraestrutura, segurança e finanças, mesmo diante de restrições orçamentárias.

Foi também em seu governo que se lançou um programa bem-sucedido de combate ao roubo de celulares, no qual a população recebe mensagens informando que os aparelhos devem ser devolvidos. A iniciativa foi copiada pelo governo Lula.

Se for o escolhido para a Fazenda, Fontelles terá de enfrentar a ala mais radical do PT, sobretudo num cenário em que a disputa pela sucessão política de Lula começou já no dia seguinte à reeleição do presidente, que está em seu último mandato. Terá ainda pela frente um dilema: ou faz a reforma fiscal ou o mercado a fará.

O primeiro caminho cobra do governo o preço da impopularidade. O segundo pode afundá-lo de vez.

Observação de checagem: Mantive o conteúdo e o sentido político do texto, mas o dado dos R$ 16,1 bilhões e a posição do Piauí no ranking de empréstimos precisam ser conferidos antes da publicação. Também vale distinguir empréstimos concedidos diretamente pelo governo federal daqueles contratados com garantia da União.

Publicação Original Metropoles metropoles.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →