O Senado do Paraguai convocou oficialmente o presidente do país, Santiago Peña, para comparecer oficialmente ao plenário ou algum de seus representantes na continuidade do processo de impeachment. Com isso, houve rejeição a proposta de prorrogação de 72 horas pedida por ele.
O presidente do Congresso confirmou que Peña comparecerá com seus advogados. 'Ele pretendia vir ao Congresso, e a ideia é que ele venha apresentar sua defesa'.
Ao todo foram 39 votos contra a extensão e seis favoráveis a Peña. Segundo Santigo diz na carta enviada para o Congresso o período de tempo era curto, já que ele recebeu o documento na noite dessa quinta-feira (5) e teria que apresentar a defesa já nesta sexta (6).
São, no total, mais de 300 páginas para serem analisadas. 'Um período inferior a 12 horas é claramente insuficiente para que um processo atenda aos padrões de um Estado regido pelo Estado de Direito', afirma o documento.
A petição também invoca as garantias do devido processo legal e as normas internacionais estabelecidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Esse argumento surge da ausência de um prazo constitucional específico para a apresentação de defesa em processos de impeachment.
'Como este é um processo que pode resultar em sanção, aplicam-se as garantias do devido processo legal, incluindo o direito a tempo suficiente para escolher um advogado de minha preferência e exercer meu direito à defesa. Um período inferior a 12 horas é claramente insuficiente para que um processo atenda aos padrões do Estado de Direito.
Portanto, solicito uma prorrogação de 72 horas para preparar minha defesa', conclui o texto. Manifestantes brigam com policiais no Paraguai.
DANIEL DUARTE / AFP A Câmara aprovou o processo por unanimidade na quinta-feira (5).
Depois, Peña apresentou uma carta de renúncia, ignorada pelo Congresso. A medida buscaria garantir a condição de senador vitalício, com imunidade, benefício perdido em caso de impeachment.
"A história se encarregará de julgar e pôr em justa dimensão os acontecimentos que hoje nos toca viver. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência da República.
E a faço pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai.
Quero também pedir desculpa ao povo, se em algum momento eu falhei. Nunca foi minha intenção desapontar a confiança que depositaram em mim."
O vice-presidente Pedro Alliana ficou fora do processo e poderá assumir a Presidência. Crise começou com quebra de banco digital
A crise começou com a quebra do banco digital Ueno, liquidado pelo Banco Central por falta de recursos. Era o sexto maior banco do país, e tinha como clientes cerca de 40% da população paraguaia.
A instituição administrava o equivalente a R$ 4,6 bilhões em depósitos públicos, inclusive da Previdência e da Saúde. Peña foi acionista do grupo proprietário até março de 2025.
A oposição aponta conflitos de interesse e supostas irregularidades com recursos previdenciários. Impacto sobre correntistas
Presidente do Paraguai, Santiago Peña. Governo do Estado de São Paulo
O bloqueio das contas atingiu trabalhadores, aposentados e empresas. O fundo garantidor começou a ressarcir depositantes, com cobertura de até R$ 203 mil por cliente.
Brasileiros residentes no Paraguai também tinham contas no banco, que permitia transferências internacionais. "A gente entra no aplicativo do banco, aparece o saldo, mas não tem como transferir.
Então, a gente está à deriva, a gente não sabe o que faz." "Eu tinha o meu dinheiro para fazer as compras do mês, eu tinha o meu dinheiro para poder...
o dia a dia, né? Tive que fazer outra conta em outro banco, tentei fazer contas em cinco bancos diferentes aqui e não consegui. No sexto, eu consegui fazer uma conta para que o Banco Central possa enviar o dinheiro que as pessoas tinham no outro banco para botar no outro novo."
Em cinco anos, o Paraguai concedeu quase 80 mil autorizações de residência a brasileiros, maior grupo de estrangeiros beneficiados. O número cresceu 37% em 2025.
Só no primeiro semestre deste ano, foram outras 22.600 autorizações.
CBN