A cidade mais alta do mundo fica nos Andes peruanos, a cerca de 5.100 metros de altitude, e quase todos os moradores vivem do garimpo de ouro

A cidade mais alta do mundo fica nos Andes peruanos, a cerca de 5.100 metros de altitude, e quase todos os moradores vivem do garimpo de ouro - Foto
Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

Guinness reconhece La Rinconada como o povoado permanente mais alto do planeta, com cerca de 50 mil moradores e economia baseada na mineração de ouro sem regulação Qual é a cidade mais alta do mundo? É La Rinconada, um povoado de mineiros no monte Ananea, no sudeste do Peru, perto da fronteira com a Bolívia.

O Guinness World Records registra o lugar a 5.100 metros de altitude, com cerca de 50 mil habitantes. Quase toda essa gente depende do garimpo de ouro, feito em grande parte sem regulação.

As temperaturas costumam ficar abaixo de zero, e o ar tem bem menos oxigênio do que no litoral. O título de povoado permanente mais alto do planeta pertence a La Rinconada, segundo o registro do Guinness World Records.

A entidade aponta 5.100 metros de altitude e uma população estimada em 50 mil pessoas em 2018. O acesso, de acordo com o registro, é feito apenas por uma trilha de montanha perigosa.

Os pesquisadores que estudaram a cidade trabalham com uma faixa um pouco mais ampla. Em artigo publicado no periódico The Journal of Physiology, a equipe do fisiologista francês Samuel Verges situa o povoado entre 5.000 e 5.300 metros.

O estudo chega à mesma estimativa, de cerca de 50 mil moradores. Para ter uma ideia da escala, o povoado fica acima do cume do Mont Blanc, o ponto mais alto dos Alpes, conforme o Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm).

Lima, a capital peruana, está no nível do mar. Puno, capital da região onde fica a cidade, está a 3.800 metros.

A economia de La Rinconada gira em torno do ouro. O Guinness descreve a cidade como dependente, em grande parte, da mineração sem regulação.

O Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) informa que a população é formada sobretudo por mineiros e suas famílias. O lugar nasceu justamente como acampamento de garimpo.

A infraestrutura não acompanhou esse crescimento: o registro do Guinness cita falta de encanamento, coleta de lixo, saneamento, hospitais e hotéis. O CNRS acrescenta que os moradores convivem com o mercúrio usado nas minas, um metal tóxico, e com poucos médicos.

A falta de serviços básicos nas áreas andinas também pesa nos índices de pobreza do Peru. A falta de oxigênio obriga o organismo a produzir muito mais sangue.

O estudo encontrou hemoglobina muito elevada nos moradores, com aumento da massa total de hemoglobina e do volume sanguíneo. O resultado é um sangue mais viscoso.

Os exames mostraram ainda o lado direito do coração dilatado e pressão alta nas artérias do pulmão. O sono também sofre.

A saturação de oxigênio medida à noite ficou em 79% na mediana, o que os autores classificam como queda acentuada. Segundo o CNRS, o hematócrito, a fatia do sangue ocupada por glóbulos vermelhos, chegou a cerca de 80% em La Rinconada, contra 40% em Lima.

Quase um quarto da população tem o mal crônico das montanhas, ante menos de 5% em Puno. A cidade virou um laboratório a céu aberto para cientistas europeus e peruanos.

A Expedição 5300, liderada por Verges no Inserm e na Universidade Grenoble Alpes, foi o primeiro programa científico e médico no povoado, segundo o artigo. O médico peruano Ivan Hancco, que atua no local, integra a equipe.

Para os autores, a cidade está perto do limite em que pessoas conseguem viver de forma permanente sem grandes problemas de saúde. O tema interessa a muita gente: cerca de 80 milhões de pessoas vivem acima de 2.500 metros, segundo o estudo.

Se você pensa em conhecer os Andes peruanos, o passo prático começa agora: marque uma consulta médica e leve o roteiro com as altitudes previstas. Puno, porta de entrada da região, já fica a 3.800 metros.

Converse com calma com o seu médico e faça uma ótima viagem. Para seguir acompanhando o noticiário do país vizinho, a ruptura diplomática entre Peru e México mostra outro lado da política peruana recente.

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Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
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