Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, vai ganhar nos próximos anos um data center voltado para abrigar e executar sistemas de inteligência artificial (IA). O investimento contempla a instação de um sistema modular com capacidade de computacional 100 Megawatts (MW) e está estimado em R$ 7,4 bilhões.
O novo data center capixaba foi projetado para processar e armazenar volumes massivos de dados de clientes internacionais e gigantes mundiais de tecnologia. "O nosso data center é uma estrutura voltada para inteligência artificial.
Não é um projeto para atender apenas ao mercado local. Nossa intenção é processar e armazenar dados globais de clientes do mundo inteiro", destaca o empresário Mário Rodrigues, que integra o projeto com um grupo de investidores capixabas, em parceria com empresas e fundos de investimento.
O projeto, segundo Rodrigues, está atualmente na fase de desenvolvimento de engenharia, obtenção de licenças ambientais e aprovação de conexões de energia — processo regulatório do setor que leva de 24 a 36 meses. O terreno onde será o complexo tem 11,3 milhões de metros quadrados e fica a nove quilômetros da cidade.
O empresário acrescenta que, paralelamente, o grupo vai realizar roadshows internacionais visando a fechar contratos de pré-locação de longo prazo, com previsão de 20 anos e em dólar com multinacionais de tecnologia. A intenção é garantir a ocupação total da estrutura antes do início das obras físicas.
A capacidade inicial de 100 MW de poder computacional do data center equivale ao consumo de processamento de 15 a 20 milhões de pessoas assistindo simultaneamente a vídeos em resolução 4K em serviços de streaming como a Netflix. A estrutura é modular e tem potencial para expandir no futuro para até 1 Gigawatt (GW), conforme o crescimento da demanda por IA.
Um data center, ou centro de dados, em português, é uma instalação física ou prédio projetado para abrigar uma infraestrutura de TI — como servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede — que processa, guarda e distribui grandes volumes de dados. A estrutura é a base física por trás de tudo o que usamos na internet, como redes sociais, serviços de streaming, bancos digitais, aplicativos de entrega e a computação em nuvem.
A instalação do complexo de tecnologia no Noroeste capixaba se deu por fatores como localização e acesso a água e energia. O complexo vai ficar próximo da Usina Hidrelétrica de Mascarenhas (a maior geradora de eletricidade do Espírito Santo) e da subestação local.
Além disso, três redes de distribuição de alta tensão ligadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) cortam a propriedade, com sinalização positiva do órgão regulador sobre a capacidade de tráfego livre. Também pesa a favor a passagem da linha férrea Vitória-Minas atravessa o terreno e carrega, a apenas 1,5 metro dos dormentes, o cabo de fibra óptica que conecta a Região Metropolitana de Belo Horizonte ao cabo submarino internacional em Vitória.
"O que um data center demanda? Energia, infraestrutura elétrica e fibra óptica. Nós temos a maior usina do Estado ao lado, redes de alta tensão livres e a fibra óptica que acompanha a ferrovia.
É um cenário completamente diferenciado", afirma Mário. A proximidade com o Rio Doce também foi um dos motivos para a instalação do local.
O sistema dos data centers precisa de resfriamento. O empresário afirma que isso ser um sistema em circuito fechado, que faz a água recircular continuamente.
“A perda mensal por evaporação para o bloco de 100 MW equivale ao consumo de apenas três casas populares com quatro moradoras cada. Além disso, a presença de água doce na região elimina a necessidade de aportes em dessalinização do mar”, pontuou.
A previsão é que a instalação do empreendimento crie entre 300 e 500 empregos diretos na montagem e obras civis. Na fase de operação, a projeção é ter cerca de 10% desse contingente de forma direta, porém formada por técnicos e engenheiros de alta qualificação e remuneração elevada.
Na avaliação do investidor, isso vai injetar capital no comércio, na rede hoteleira, em restaurantes e em prestadores de serviços locais. Na arrecadação pública, ele estima que, com o faturamento anual do data center previsto em mais de R$ 1 bilhão, a alíquota de 5% do Imposto Sobre Serviços (ISS) direcionará entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões por ano diretamente para o caixa da Prefeitura de Baixo Guandu.
A Gazeta