247 – O rendimento médio real dos trabalhadores brasileiros alcançou R$ 3.790 no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado. A expansão da renda, acompanhada pelo aumento do número de pessoas empregadas, levou a massa de rendimentos do trabalho ao maior valor já registrado no país, reforçando as condições para o consumo das famílias e a movimentação da economia.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (30), conforme informações publicadas pela Agência Gov. O levantamento mostra que a massa de rendimentos reais habituais chegou a R$ 387,5 bilhões, com crescimento de 4,7% em 12 meses, equivalente a R$ 17,5 bilhões adicionais na renda total dos trabalhadores.
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, a massa de rendimentos avançou 1,5%, representando um acréscimo de R$ 5,6 bilhões. Já o rendimento médio individual permaneceu estatisticamente estável no período, embora tenha acumulado ganho real de R$ 131 em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Os resultados indicam que o aumento do contingente de trabalhadores ocupados, combinado à valorização da renda, ampliou o volume de recursos provenientes do trabalho na economia brasileira. Número de trabalhadores ocupados bate recorde histórico
A expansão da renda ocorreu em um cenário de crescimento da ocupação. O Brasil chegou a 103,6 milhões de pessoas trabalhando, o maior contingente desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.
O número representa um aumento de 581 mil trabalhadores em relação ao trimestre anterior e de aproximadamente 1,2 milhão na comparação anual. Outro indicador positivo foi a redução da taxa de desemprego, que recuou de 5,4% no segundo trimestre para 5,2% no terceiro trimestre de 2026.
O percentual também ficou abaixo dos 5,6% registrados no mesmo período de 2025, alcançando o menor nível para um terceiro trimestre desde 2012. O número de pessoas desocupadas caiu para 5,6 milhões, uma redução de 234 mil em relação ao trimestre anterior.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, 417 mil brasileiros deixaram a condição de desemprego, uma queda de 6,9%. Construção civil amplia contratações e fortalece mercado de trabalho
Entre os setores que contribuíram para o crescimento da ocupação, a construção civil apresentou desempenho expressivo. O segmento registrou aumento de 2,8% no número de trabalhadores durante o terceiro trimestre, incorporando aproximadamente 210 mil pessoas.
“Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas”, afirmou o analista da pesquisa William Kratochwill. O levantamento também identificou um recorde no número de empregadores, que chegou a 4,5 milhões de pessoas.
O contingente cresceu 4,3% no trimestre, com a incorporação de 184 mil empregadores, e 6,4% em relação ao ano anterior, representando um acréscimo de 272 mil pessoas. Segundo o analista, o crescimento desse grupo contribui para ampliar as oportunidades de trabalho, especialmente quando profissionais que anteriormente atuavam por conta própria conseguem expandir seus negócios e contratar funcionários.
Emprego público atinge maior patamar da série histórica O setor público também apresentou resultados positivos, alcançando o recorde de 13,2 milhões de trabalhadores.
Embora o número tenha permanecido estável na comparação trimestral, houve crescimento de 2,5% em 12 meses, equivalente a 317 mil pessoas adicionais. A educação teve participação relevante nesse avanço, especialmente com a ampliação das contratações de professores da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio.
“O contingente de pessoas trabalhando no setor público com carteira foi consequência do aumento de ocupados na educação como professores, de ensino pré-escolar, fundamental e médio, acrescentando cerca de 45 mil pessoas”, explicou Kratochwill. As administrações municipais também contribuíram para o crescimento do emprego público, com aproximadamente 30 mil contratações em atividades administrativas e de regulação de políticas econômicas e sociais.
Entre as funções contempladas estão escriturários, analistas de sistemas e recepcionistas. No setor privado, o número de empregados com carteira assinada, excluídos os trabalhadores domésticos, permaneceu estável em 39,4 milhões.
O mesmo comportamento foi observado entre os trabalhadores sem carteira assinada, que somaram 13,7 milhões, e os profissionais por conta própria, cujo contingente chegou a 26,1 milhões. Subutilização diminui em um ano, mas mercado ainda enfrenta desafios
Apesar da expansão do emprego e da renda, o levantamento apontou dificuldades persistentes para determinados grupos de trabalhadores. A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, mas abaixo dos 13,9% registrados um ano antes.
O número de pessoas subutilizadas chegou a 14,8 milhões, com redução de 6,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Isso representa 957 mil pessoas a menos nessa condição, que inclui desempregados, trabalhadores com jornadas inferiores às desejadas e pessoas com potencial para ingressar no mercado de trabalho.
Por outro lado, o contingente de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas aumentou 5,2% no trimestre, chegando a 4,3 milhões. Na comparação anual, houve redução de 5,4%.
O número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, alcançou 2,5 milhões. Embora tenha diminuído 6,8% em relação ao ano anterior, esse grupo cresceu 7,5% na comparação trimestral, com acréscimo de 171 mil pessoas.
De acordo com Kratochwill, a redução anual do desalento está relacionada à melhora das contratações, mas o aumento mais recente revela obstáculos para trabalhadores que buscam oportunidades consideradas adequadas. A dificuldade foi observada principalmente entre pessoas com 40 anos ou mais.
Próximos dados mostrarão evolução do emprego e da renda A PNAD Contínua é o principal instrumento utilizado pelo IBGE para acompanhar as condições do mercado de trabalho brasileiro.
A pesquisa abrange aproximadamente 211 mil domicílios distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, com coleta realizada trimestralmente. Os resultados do terceiro trimestre mostram que o crescimento da renda real e da população ocupada elevou a massa de rendimentos a um patamar inédito.
A evolução desses indicadores será importante para avaliar a sustentação do consumo das famílias e o desempenho da atividade econômica nos próximos meses. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em outubro, está prevista para 27 de novembro.
Brasil 247