CNBB divulga mensagem defendendo soberania e respeito às urnas no segundo turno

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira (21) uma mensagem em defesa da soberania nacional, da democracia e do respeito aos resultados das urnas, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais. A manifestação, segundo O Globo, também orienta os eleitores a avaliar o histórico político dos candidatos e seus compromissos com os princípios democráticos antes de definir o voto.

O documento foi elaborado pelo Conselho Permanente da CNBB e ressalta a importância da participação consciente dos brasileiros na votação marcada para domingo (25). A entidade destaca que o processo eleitoral deve ser acompanhado pela defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito.

“Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste segundo turno das eleições”, afirma a mensagem.

O texto também orienta os cidadãos a considerar “a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia” no momento de escolher quem governará o país.

A referência à soberania nacional aparece logo no início do documento. Para os bispos, o “Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança”.

Ao associar a soberania à garantia de direitos sociais, a CNBB coloca questões relacionadas às condições de vida da população entre os elementos que devem orientar a reflexão dos eleitores. A manifestação também reforça a importância de reconhecer a legitimidade da escolha popular expressa nas urnas.

A mensagem termina com uma referência religiosa. Os bispos pedem que “Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda (…) e ajude-nos a vencer a indiferença”.

CNBB foi alvo de acusações de Flávio Bolsonaro durante a campanha

O posicionamento da entidade ocorre depois de uma controvérsia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, e a circulação de informações falsas relacionadas a Nossa Senhora Aparecida.

Durante a campanha, Flávio Bolsonaro acusou integrantes da CNBB de contribuírem para a disseminação de uma informação falsa segundo a qual ele pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil.

Em um ato eleitoral realizado em Goiânia, o senador atribuiu ao PT a divulgação do conteúdo e afirmou que pessoas ligadas à conferência teriam colaborado para sua propagação.

“O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente. O que aconteceu ali foi, quase que automaticamente, uma disseminação dessa fake news. Só que rapidamente se reverteu, porque a verdade está do nosso lado”, declarou Flávio Bolsonaro na ocasião.

A CNBB respondeu às acusações por meio de uma nota oficial, sem mencionar diretamente o nome do senador. A instituição negou qualquer participação na elaboração ou divulgação de informações falsas sobre a disputa eleitoral.

“A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, afirmou.

A entidade acrescentou que “a Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.”

Defesa da soberania já havia marcado manifestações de bispos

Antes da divulgação da mensagem sobre o segundo turno, integrantes da Igreja Católica já haviam se manifestado publicamente sobre a situação política brasileira, com posicionamentos distintos a respeito da democracia, da soberania e das instituições.

Durante a missa de 7 de Setembro, celebrada em Aparecida, o arcebispo emérito Dom Orlando Brandes defendeu a independência do Brasil diante de possíveis interferências estrangeiras.

Na ocasião, o religioso pediu que os eleitores escolhessem seus representantes pensando no bem comum e ressaltou a necessidade de preservar a autonomia nacional.

“Cá entre nós, festa da independência. Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui. Aqui é nossa casa, nossa pátria. Aqui é o chão abençoado que Deus nos deu e faz parte da nossa identidade”, declarou.

A manifestação ocorreu em meio ao debate eleitoral e reforçou a presença do tema da soberania nas declarações públicas de representantes da Igreja.

Em outra manifestação, no dia 6 de setembro, o bispo Dom Adair Guimarães, da Diocese de Formosa, em Goiás, apresentou uma avaliação crítica da situação institucional brasileira.

O religioso afirmou que o país não vivia “uma democracia plena”, mencionou a existência de “presos políticos” e pediu a intercessão de Nossa Senhora pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Que Nossa Senhora proteja nossa juventude, nossa pátria em frangalhos e doente. Interceda pelo nosso ministro André Mendonça, para que ajude a colocar a limpo o marasmo da corrupção que estraga a nossa pátria, a ditadura, ao cerceamento às liberdades com presos políticos e expatriados que revelam que a nossa pátria não possui uma democracia plena”, afirmou Dom Adair.

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