247 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez duras críticas nesta quarta-feira (21) à proposta do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de implantar no Sistema Único de Saúde (SUS) um modelo de atendimento inspirado no Hospital Albert Einstein. Para Padilha, a promessa revela desconhecimento sobre a estrutura e os custos da saúde pública brasileira, além de apresentar uma contradição com a defesa de cortes bilionários no Orçamento federal.
O ministro também advertiu que as propostas do senador para reduzir as despesas públicas, inspiradas na política econômica do presidente argentino Javier Milei, podem comprometer programas de financiamento estudantil, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), e restringir investimentos nas áreas de saúde e educação.
“Primeiro que é um desconhecimento absurdo da saúde pública. Só fala isso quem desconhece a saúde pública”, afirmou Padilha durante uma agenda oficial no Rio de Janeiro, segundo a Sputnik Brasil.
O ministro utilizou os custos operacionais do Hospital Albert Einstein para questionar a viabilidade da proposta. Segundo ele, a instituição realiza aproximadamente 75 mil internações por ano, com despesas superiores a R$ 7 bilhões. Padilha ressaltou ainda que o hospital já mantém parcerias com o SUS e, por meio dessas iniciativas, atende mais pacientes da rede pública do que aqueles internados em sua própria estrutura privada.
“Alguém que fala que vai fazer o mesmo tipo de atendimento que acontece nos hospitais privados, que custa R$ 7 bilhões por ano, e, ao mesmo tempo, fala que vai cortar R$ 250 bilhões do Orçamento, não conhece nada de saúde pública”, declarou.
A crítica concentra-se na incompatibilidade apontada pelo ministro entre a promessa de ampliar o padrão de atendimento oferecido à população e a intenção de reduzir expressivamente os gastos públicos. Padilha sustenta que a manutenção e a expansão dos serviços de saúde exigem financiamento adequado, especialmente diante da dimensão da rede pública brasileira.
O ministro também relacionou as propostas de Flávio Bolsonaro à situação dos hospitais federais do Rio de Janeiro durante a administração de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “O padrão do Flávio Bolsonaro é o do apagão dos hospitais federais do Rio”, disse.
Padilha alerta para a “tesoura do Milei” e ameaça ao Fies
As críticas do ministro também alcançaram a política educacional. Padilha advertiu que a adoção de medidas de austeridade fiscal semelhantes às implementadas pelo governo de Javier Milei, na Argentina, poderia prejudicar programas destinados a estudantes de baixa renda.
“O risco para o Fies são pessoas que são inspiradas na tesoura do Milei quererem vir fazer os cortes na saúde e na educação, e aí não tem perspectiva nenhuma para os estudantes”, afirmou Padilha.
A referência à “tesoura do Milei” foi utilizada pelo ministro para caracterizar propostas de redução das despesas estatais que, em sua avaliação, ameaçam o financiamento de políticas sociais.
Padilha destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou a participação do Estado como fiador dos estudantes beneficiados pelo Fies, mecanismo voltado a facilitar o acesso ao financiamento de cursos superiores.
O ministro também mencionou o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Mais Médicos como exemplos de iniciativas que ampliam oportunidades educacionais e profissionais, incluindo o acesso de estudantes oriundos da rede pública ao ensino superior.
Na avaliação apresentada por Padilha, a preservação dos recursos destinados à saúde e à educação é fundamental para garantir a continuidade dessas políticas. Ele argumentou que cortes orçamentários nessas áreas podem comprometer tanto o atendimento à população quanto as perspectivas de formação acadêmica e profissional de milhares de brasileiros.
Hospital federal do Rio recebe 21 novos leitos
As declarações ocorreram durante uma visita de Padilha ao Hospital Universitário dos Servidores do Estado, na capital fluminense, onde o ministro acompanhou a ampliação da capacidade assistencial da unidade.
O hospital recebeu 21 novos leitos, distribuídos entre nove vagas na Unidade Pós-Operatória e outras 12 na enfermaria cirúrgica. A expansão busca reforçar a estrutura disponível para pacientes que necessitam de acompanhamento após procedimentos cirúrgicos e de internação hospitalar.
A agenda do ministro incluiu ainda uma vistoria de 15 Unidades Móveis de Rua (UMRs), destinadas ao atendimento da população em situação de rua no Rio de Janeiro.
Os veículos integram a estrutura de assistência do SUS e oferecem serviços como consultas, vacinação, exames e outros procedimentos de atenção à saúde.
Brasil 247