China defende vitória de Lula após ataques de Trump: “respeitamos a escolha independente do povo brasileiro”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O governo chinês manifestou apoio à decisão dos eleitores brasileiros e reafirmou seu respeito à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em contraposição às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que levantou suspeitas de fraude no segundo turno das eleições presidenciais sem apresentar evidências.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, declarou nesta quarta-feira (28) que Pequim reconhece a autonomia dos brasileiros para escolher seus governantes. “Nós respeitamos a escolha independente do povo brasileiro”, afirmou durante entrevista coletiva, ao ser questionado sobre as acusações feitas pelo presidente americano.

A manifestação reforça a posição adotada pela diplomacia chinesa desde segunda-feira (26), quando Guo foi perguntado sobre a tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, de anular o resultado das eleições. Na ocasião, o representante de Pequim já havia declarado que “a China respeita a escolha do povo brasileiro”.

As declarações evidenciam a diferença entre as reações de China e Estados Unidos ao resultado eleitoral. Enquanto o governo chinês reafirmou o respeito à decisão das urnas, Trump passou a questionar a legitimidade da votação depois da derrota de Flávio Bolsonaro, sem apresentar provas de irregularidades.

Trump questiona eleição e critica decisão do STF O presidente americano fez suas primeiras declarações sobre o segundo turno na segunda-feira (26), um dia após a votação.

Embora tenha afirmado que não apoiou oficialmente nenhum dos candidatos, Trump classificou o processo eleitoral brasileiro de maneira negativa e sugeriu a existência de fraude. “Achei que foi uma situação muito ruim.

Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Foi uma imagem péssima para o mundo”, declarou.

Na sequência, o republicano intensificou as críticas à condução do pleito. “As eleições precisam ser incontestáveis, e aquilo me pareceu muito ruim.

Pareceu tão, tão corrupta, tão terrível”, acrescentou. Trump também questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ampliar o horário de votação.

O magistrado foi indicado à Corte pelo presidente Lula. “Gosto de Lula, me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, afirmou o presidente americano.

Apesar das acusações, Trump não indicou a adoção de medidas concretas contra o resultado eleitoral brasileiro. Questionado sobre uma eventual intervenção, respondeu que sua responsabilidade é governar os Estados Unidos, e não o Brasil.

Trump elogiou apuração brasileira quando Flávio Bolsonaro estava à frente A postura do presidente americano contrasta com suas manifestações durante o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Naquela ocasião, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação à frente de Lula, Trump elogiou a rapidez da apuração brasileira e utilizou o processo como exemplo para criticar o sistema eleitoral dos Estados Unidos. Em uma publicação nas redes sociais, o republicano chegou a confundir o Brasil com a Índia, corrigindo posteriormente a informação.

No dia seguinte, comemorou o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro, classificando-o como uma “grande vitória”. A mudança de discurso ocorreu após a virada de Lula no segundo turno.

Com a derrota do candidato apoiado pela família Bolsonaro, Trump passou a levantar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral, apesar de anteriormente ter destacado aspectos positivos do sistema brasileiro. A reação também teve consequências diplomáticas.

O governo americano suspendeu a divulgação de um comunicado que parabenizaria os brasileiros pela realização das eleições. A decisão ocorreu em meio à recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer a vitória de Lula e à sua tentativa de invalidar o resultado do pleito.

Governo Trump estava ciente da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil Além das declarações sobre a eleição, a administração americana acompanhou os movimentos de Flávio Bolsonaro após a derrota presidencial.

De acordo com a reportagem, o governo Trump tinha conhecimento da saída do senador do território brasileiro. Um aliado da família Bolsonaro ouvido pelo jornal afirmou que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, participou ativamente da operação para retirar Flávio do país.

Uma autoridade da Casa Branca também confirmou que Washington concederia vistos ao senador e a seus familiares. Na quarta-feira (28), Trump afirmou que autorizaria a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.

O presidente americano disse ainda ter recebido informações de que o senador estaria na Argentina, embora não soubesse confirmar sua localização naquele momento. A movimentação ocorreu após decisões judiciais que restringiram a possibilidade de Flávio deixar o Brasil.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador e ordenado a entrega de seus documentos de viagem estrangeiros. Flávio Bolsonaro, entretanto, não cumpriu a determinação judicial.

Antes de deixar o território nacional, havia afirmado publicamente que respeitaria a ordem e que nunca havia considerado sair do país. Flávio Bolsonaro deixou o país por rota que evitou o espaço aéreo brasileiro

O senador saiu do Brasil dois dias depois de perder a eleição presidencial para Lula. Na noite de terça-feira (27), Flávio Bolsonaro, sua esposa e suas duas filhas ingressaram na Argentina por uma passagem terrestre localizada na província de Misiones.

Para atravessar a fronteira, o senador utilizou um passaporte italiano, enquanto sua mulher e as filhas apresentaram documentos brasileiros. A família seguiu posteriormente em uma aeronave particular até Guayaquil, no Equador.

De lá, o avião partiu em direção a Miami, nos Estados Unidos, onde pousou na manhã de quarta-feira (28). O trajeto foi realizado de maneira a evitar o espaço aéreo brasileiro.

A saída do senador ocorreu em meio à contestação do resultado eleitoral por integrantes da família Bolsonaro e às manifestações de Trump contra a legitimidade da votação.

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