Presentes em diferentes culturas e hábitos alimentares, os chás fazem parte da rotina de muitas pessoas e podem ser encontrados em diversas variedades. Entre as opções mais conhecidas no Brasil, estão os chás verde, preto e branco, além do mate.
As diferenças entre eles estão relacionadas à origem, ao processamento das folhas e à concentração de determinados compostos. “Conhecer essas particularidades ajuda a escolher a bebida de acordo com as preferências e as necessidades individuais.
Embora os chás contenham compostos bioativos associados a possíveis benefícios à saúde, seu consumo não substitui uma alimentação equilibrada e deve considerar fatores como a quantidade de cafeína e a forma de preparo”, explica Janaina Amaral, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera.
Os chás verde, preto e branco são produzidos a partir da mesma planta, a Camellia sinensis . O que muda entre eles é, principalmente, o processamento das folhas após a colheita, especialmente o grau de oxidação, processo que influencia o sabor, a cor e a composição da bebida.
O chá verde passa por um processamento que reduz a oxidação das folhas, preservando características naturais da planta. Tem sabor vegetal, que pode variar de suave a mais intenso, e contém catequinas, compostos bioativos pertencentes ao grupo dos polifenóis.
Também apresenta cafeína, em quantidades que variam conforme o produto e o preparo. O chá preto passa por uma oxidação mais intensa, responsável pela coloração escura e pelo sabor geralmente mais encorpado.
Durante esse processo, parte das catequinas é transformada em outros compostos fenólicos, como as teaflavinas e as tearubiginas. Assim como o verde, contém cafeína e pode ser uma alternativa para quem aprecia bebidas com sabor mais marcante.
O chá branco, por sua vez, é produzido principalmente a partir de brotos e folhas jovens da mesma espécie, submetidos a um processamento relativamente simples. Seu sabor costuma ser mais suave, mas a composição e a concentração de cafeína variam de acordo com a matéria-prima e o método de preparo.
Por isso, não é correto afirmar que essa variedade é sempre a que contém menos cafeína. Apesar de também ser chamado de chá, o mate tem outra origem botânica.
Ele é produzido a partir das folhas da erva-mate ( Ilex paraguariensis ), planta tradicional da América do Sul e bastante presente nos hábitos alimentares brasileiros, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. A bebida pode ser consumida quente, como no chimarrão, ou fria, como no tereré e no mate gelado.
Essa versatilidade faz com que seja uma opção popular ao longo do ano. O mate contém cafeína e compostos fenólicos, incluindo ácidos clorogênicos.
A concentração dessas substâncias depende de fatores como o tipo de produto, a quantidade de erva utilizada e o tempo de infusão. Por isso, assim como acontece com os chás derivados da Camellia sinensis , o consumo deve considerar a tolerância individual à cafeína.
A nutricionista explica que a escolha deve considerar as características de cada bebida e a resposta do organismo. “Pessoas mais sensíveis à cafeína podem apresentar sintomas como agitação, palpitações e dificuldade para dormir, especialmente quando consomem essas bebidas em grandes quantidades ou perto do horário de descanso”, diz.
Também é importante observar o modo de preparo. Utilizar água na temperatura adequada e respeitar o tempo de infusão indicado na embalagem ajuda a evitar sabores excessivamente amargos.
O consumo sem açúcar, quando possível, também contribui para reduzir a ingestão de açúcares adicionados. Preparar os chás gelados pode ser uma maneira de variar o consumo de líquidos ao longo do dia.
Para isso, é possível preparar a infusão, aguardar o resfriamento e armazená-la sob refrigeração. Ingredientes como limão, hortelã e outras ervas aromáticas podem ser utilizados para variar o sabor e tornar o consumo mais agradável.
A Gazeta