O fundador do Ueno Bank, Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, foi um dos presos após o colapso do banco digital, em meio a um escândalo que levou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a renunciar na quinta-feira (5). A situação de Vázquez tem semelhanças com a do brasileiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado, após fraudes bilionárias.
Vorcaro foi preso pela primeira vez na noite anterior ao anúncio do BC, mas foi solto alguns dias depois. Em março deste ano, ele voltou a ser preso.
Em seu perfil no LinkedIn, Vázquez afirma ter especialização em Finanças, Gestão Empresarial, Transformação Digital e Inovação em Serviços Financeiros pelo INCAE e participado de programas na Universidade de Miami e na Universidade de Harvard. Em uma biografia disponível no site do Ueno Bank, o paraguaio se descreve como "apaixonado por velocidade e competição".
Ele afirma gostar de pilotar carros de rali e participar de provas de triatlo. Vázquez é casado e pai de três filhos.
Nas redes sociais, ele compartilhava momentos com a família e amigos. O primeiro emprego de Vázquez foi na Credicentro, empresa que o pai dele fundou em 1984.
No LinkedIn, ele afirma que entrou na empresa aos 18 anos, como CEO. Em 2022, a empresa passou a se chamar Ueno Holding, quando já fazia parte do Grupo Vázquez, conglomerado que reúne mais de 20 empresas em diferentes setores, do qual Vázquez é presidente.
O grupo também é controlador do Ueno Bank, onde o paraguaio também atuava como vice-presidente. @@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
Vázquez foi preso na terça-feira (3) após o Banco Central do Paraguai (BCP) decidir intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital. O BCP era presidido por Carlos Carvallo, que assumiu o cargo em setembro de 2023, cerca de dois meses depois de deixar a presidência do Ueno.
Em meio ao escândalo, ele apresentou sua renúncia na terça-feira. Peña também teve ligações com o Grupo Vázquez: em abril do ano passado, o presidente admitiu que tinha investimentos na Ueno Holding.
Segundo o jornal paraguaio ABC, Peña afirmou que investiu na empresa em 2019, mas que, em março de 2025, o principal acionista "decidiu dissolver a empresa" em um processo de fusão no qual ele decidiu "não participar". Segundo o jornal, a investigação contra o Ueno começou após o BCP identificar indícios de que a instituição concedia empréstimos acima do limite legal a empresas ligadas ao Grupo Vázquez.
A legislação paraguaia estabelece um limite de 20% do patrimônio efetivo da instituição financeira para operações de crédito com pessoas ou empresas vinculadas à sua propriedade ou gestão. O ABC também afirmou que, em pouco mais de dois anos, o banco passou de captações iniciais de depósitos públicos de 70 bilhões de guaranis (R$ 62,9 milhões) para um volume de 3,45 trilhões de guaranis (R$ 3,1 bilhões).
Na terça-feira, o BCP assumiu o controle do Ueno, após o conselho da entidade ter aprovado, na noite de segunda-feira (2) por unanimidade, um processo de resolução, que permite aos reguladores transferir os depósitos de um banco em dificuldades para outras instituições antes de liquidar seus ativos restantes
Segundo o BCP, a medida foi adotada porque o índice de solvência do Ueno - que mede seu capital em relação aos seus ativos ponderados pelo risco - caiu abaixo da metade do mínimo legal. Na quarta-feira, deputados da oposição apresentaram ao Congresso um pedido de abertura de processo de impeachment contra Peña e o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana.
O texto da acusação apresentado à Câmara dos Deputados pede a abertura de um processo de impeachment contra Peña por "mau desempenho de suas funções no exercício do cargo". O presidente é acusado, entre outras irregularidades, de "conflito de interesses" e enfrenta questionamentos pelo aumento de seu patrimônio.
Na quinta-feira, Peña anunciou em um vídeo publicado nas redes que renunciaria ao cargo. Pouco depois, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Pela legislação paraguaia, Peña segue no cargo até que as duas Casas do Congresso aprovem a renúncia. Nesta sexta-feira, o Senado retomou o julgamento do processo de impeachment, que não contou com a presença do presidente.
Folha de Pernambuco