A hegemonia das centrais multimídia de grandes dimensões começa a enfrentar resistência e a impulsionar o retorno dos botões físicos nos carros. A substituição integral de comandos analógicos por menus digitais — popularizada por fabricantes como a Tesla e adotada por marcas como a Leapmotor no modelo C10 — acumulou funções básicas como ajuste de espelhos, ar-condicionado e abertura de teto solar em visores sensíveis ao toque.
A complexidade de manuseio durante a condução tem gerado insatisfação nos consumidores e provocado uma revisão nas estratégias de ergonomia interna, segundo o Jornal do Carro do Estadão. Durante o Salão do Automóvel de Paris, a Alfa Romeo, marca pertencente ao grupo Stellantis, apresentou o conceito Cuorerosso com uma proposta voltada para a redução de visores no painel.
O chefe de design da empresa, Alejandro Mesonero-Romanos, defendeu a simplificação da cabine ao criticar a expansão exagerada dos monitores. O projeto introduz o painel Cannocchiale, composto por duas cúpulas circulares que alternam as informações de navegação e instrumentos conforme o modo de pilotagem selecionado, além de preservar seletores mecânicos no console central.
Outras fabricantes globais também apresentam protótipos que limitam o uso de mostradores digitais tradicionais. A Porsche revelou o conceito superesportivo Mission S sem a presença de uma central de infoentretenimento central, priorizando o uso de suportes magnéticos para a integração de smartphones na navegação.
Da mesma forma, marcas asiáticas como a Omoda, pertencente ao grupo Chery Internacional, começam a reintroduzir seletores físicos para o controle da climatização e escolha de modos de condução no conceito Omoda X. As mudanças apontadas nos veículos conceito indicam uma alteração nas diretrizes de design para os próximos anos.
A busca por maior segurança viária e praticidade operacional tem levado os projetistas a equilibrar a conectividade digital com a resposta tátil dos comandos manuais. A expectativa do setor é que os futuros lançamentos de série passem a oferecer cabines mais intuitivas e menos dependentes de navegação por menus sobrepostos.
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