O candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) Danilo Morgado foi preso nesta manhã na operação Vectura Corrupta, que investiga suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transportes de São Paulo. Em nota à imprensa, o candidato diz ser "alvo de perseguição".
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Segundo as investigações, a organização criminosa financiou a campanha de Morgado à prefeitura de Praia Grande em 2024, quando ele era do União Brasil. O presidente do União Brasil em São Paulo, o ex-vereador Milton Leite, também foi um dos alvos da operação de hoje, assim como outros 11 investigados. Leite não estava em casa, mas disse que se apresentará às autoridades em até 24 horas.
Morgado já teve a candidatura deferida pela Justiça Eleitoral e recebeu, até o momento, R$ 170 mil em recursos públicos para a campanha, sendo R$ 150 mil do diretório nacional do partido, segundo informações do DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já gastou o equivalente a R$ 173 mil – as doações devem ser informadas em até 72 horas depois do recebimento, por isso a divergência.
Segundo fonte ligada ao candidato, a prisão não afeta a candidatura, pois é preventiva. Pela lei eleitoral, nos 15 dias anteriores à eleição os candidatos não podem ser presos, salvo em flagrante delito. Ou seja, o prazo final seria no dia 19 de setembro. Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), disse que a decisão que deferiu o registro de candidatura de Danilo Morgado transitou em julgado (quando não sabe mais recurso) em 14 de setembro. "As questões concretas poderão ser apreciadas pela juíza ou juiz responsável em eventual ação própria. Não há possibilidade de emissão de juízo prévio pela Justiça Eleitoral", disse o tribunal.
Na nota enviada à imprensa e publicada em sua rede social, o candidato afirmou que meses atrás, quando também foi pedida sua prisão, o processo teria sido movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), após publicar vídeos denunciando supostas licitações ligadas ao PCC dentro da prefeitura. Morgado já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio, deflagrada em 2024.
"Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso. A sequência dos fatos fala por si", afirmou, dizendo ser vítima de intimação. "Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve", completou.
A prefeitura de Praia Grande foi procurada, mas ainda não deu retorno.
Danilo Morgado também já tentou se eleger como prefeito de Praia Grande pelo PSL em 2020 e concorreu a uma vaga à Câmara dos Deputados em 2022, pelo Solidariedade, mas não foi eleito nenhuma das vezes.
O Ministério Público Eleitoral já impugnou duas candidaturas em São Paulo por suspeita de ligação com PCC - um dos candidatos renunciou e o outro teve a candidatura deferida. São eles: Emerson Dias Rocha, que concorria ao cargo de deputado estadual pelo Podemos, mas desistiu quatro dias depois da impugnação do órgão, e Ney Santos, ex-prefeito de Embu das Artes. Segundo o MP, Emerson foi preso no dia 20 de agosto durante a Operação Cátaros que apura lavagem de dinheiro, crimes envolvendo a Câmara Municipal de Cotia e ligação com o PCC. Já Ney Santos teria “intenso envolvimento com atividades ilícitas de organização criminosa”. Ele tenta uma vaga na Câmara dos Deputados em Brasília pelo Republicanos e já foi condenado por posse de arma com numeração raspada. A candidatura foi deferida por maioria de quatro a três no TRE-SP no último dia 15 de setembro.
Valor