O governo de Mark Carney mantém seu rumo apesar de o cenário político ter mudado radicalmente em seu poderoso vizinho O Canadá apresentou nesta quinta-feira 5 um orçamento destinado a dar continuidade à transformação do País, com o objetivo de reforçar sua “independência econômica” em relação aos Estados Unidos de Donald Trump.
O governo de Mark Carney mantém seu rumo apesar de o cenário político ter mudado radicalmente em seu poderoso vizinho, após a contundente vitória dos democratas na terça-feira, partido que tem se mostrado crítico às tarifas impostas ao Canadá. O orçamento tem como objetivo garantir “uma maior independência econômica” para o Canadá, cujo principal parceiro comercial são os Estados Unidos.
“A diversificação levará tempo, dada a dimensão e a profundidade das relações econômicas entre Canadá e Estados Unidos. Mas a mudança já está em andamento”, afirma o governo no documento de mais de 500 páginas.
“O que acontece nos Estados Unidos é importante e a situação vai evoluir. Mas estamos concentrados no que acontece aqui, nos mesmos desafios” que existiam antes das eleições de meio de mandato no País vizinho, afirmou Carney nesta quinta-feira.
Carney, que está no poder há um ano e meio, transformou a autonomia do Canadá em relação aos Estados Unidos na pedra angular de sua política. O conflito comercial bilateral, iniciado pelo governo Trump, se agravou neste verão no Hemisfério Norte, depois que o Canadá interrompeu as negociações e respondeu impondo tarifas retaliatórias a diversos produtos americanos.
No entanto, no último fim de semana, os dois países vizinhos consideraram que estavam próximos de encontrar uma saída para a crise. O orçamento inclui, em particular, medidas destinadas a acelerar os investimentos em setores estratégicos, por meio de uma “megadedução” fiscal para atrair investidores e da destinação de 25 bilhões de dólares canadenses (cerca de 17,83 bilhões de dólares americanos) a um novo fundo soberano canadense.
O governo também anunciou uma verba de 50 bilhões de dólares canadenses (US$ 35,665 bilhões) para dobrar a produção de eletricidade, além de recursos destinados aos minerais críticos e ao setor automotivo. No campo macroeconômico, o governo alerta que os próximos anos poderão ser difíceis devido ao impacto das tarifas americanas e ao aumento do custo de vida.
A expectativa é que o crescimento desacelere para 1% até o fim de 2026, antes de voltar a acelerar em 2028, quando deverá atingir 1,7%. AFP Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo.
Fundada em 1835, como Agência Havas. Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu.
Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa.
Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Carta Capital