A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil concentram 40,37% da dívida incluída no pedido de recuperação extrajudicial da Chilli Beans, rede de óculos e acessórios fundada por Caito Maia. Juntos, os dois bancos públicos têm 132,7 milhões de reais a receber, mas não figuram entre os credores que assinaram inicialmente o plano de reestruturação apresentado à Justiça paulista em 30 de outubro.
A Caixa é a maior credora individual, com 68,8 milhões de reais, seguida pelo Banco do Brasil, com 63,9 milhões de reais. A companhia busca renegociar 328,7 milhões de reais em obrigações financeiras.
Até a apresentação do pedido, havia obtido a adesão de credores responsáveis por 115,4 milhões de reais, equivalentes a 35,11% do passivo abrangido. O percentual é suficiente para iniciar o procedimento, mas não para garantir sua homologação.
Pela legislação, a empresa precisa reunir assinaturas que representem mais da metade dos créditos incluídos no plano. Isso significa conseguir adesões adicionais superiores a 48,9 milhões de reais dentro do prazo de 90 dias, que termina no fim de janeiro de 2027.
O peso dos bancos públicos torna as negociações especialmente relevantes. A adesão isolada da Caixa elevaria o apoio ao plano para aproximadamente 56% da dívida, enquanto a assinatura do Banco do Brasil levaria o percentual a cerca de 54,5%.
Em ambos os casos, o quórum financeiro seria superado, considerando os valores atualmente informados. Isso não significa, porém, que a Chilli Beans dependa necessariamente de um dos dois bancos: também é possível alcançar a maioria exigida por lei mediante acordos com outros credores.
Continua após a publicidade O grupo de credores que aderiu inicialmente inclui o Santander, o Itaú, a securitizadora Vert e fundos ligados à RED.
A relação de instituições financeiras com créditos a receber também inclui Bradesco, Safra e Inter, além de gestoras e fundos de investimento. Segundo o levantamento, a petição apresentada à Justiça descreve as conversas com Caixa e Banco do Brasil como avançadas, mas não estabelece uma data para a conclusão das negociações.
Continua após a publicidade Outro ponto que chama atenção na estrutura do endividamento são aproximadamente 27,2 milhões de reais em avais concedidos por empresas do grupo para garantir dívidas de franqueados.
Esses valores foram incluídos entre os créditos abrangidos pela recuperação extrajudicial, embora parte das obrigações possa ter natureza contingente. A composição desse passivo merece atenção porque a definição dos créditos sujeitos ao plano interfere diretamente no cálculo do quórum necessário para sua aprovação.
Continua após a publicidade A reestruturação envolve sete empresas do grupo Chilli Beans e ocorre em meio à deterioração dos resultados financeiros.
O faturamento bruto das sociedades incluídas no pedido caiu 29,9% nos primeiros nove meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A companhia atribui as dificuldades, entre outros fatores, ao encarecimento do crédito, à inadimplência de franqueados e à desaceleração do consumo.
O plano também prevê a possibilidade de um aporte de até 50 milhões de reais, coordenado por credores que participam da reorganização financeira. Publicidade
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