Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)Divulgação Naquele dia, a maioria dos brasileiros oficializou Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) como os finalistas da disputa mais acirrada desde a redemocratização. Só então os eleitores do presidente saíram da letargia e perceberam que ele não venceria apenas como o nome, a história e o recall de campanhas anteriores.
E os do segundo passaram a ser confrontados, de maneira mais direta, com o currículo de um candidato pouco confiável e que aprontou de tudo no verão passado.Nas primeiras horas do segundo turno, o Zero Um empilhou pequenas vitórias. Conseguiu o apoio de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Juntos, eles tiveram pouco mais de 6 milhões de votos.Para quem terminou a primeira fase da corrida em vantagem de quase 3 milhões de eleitores, a soma de apoios, em tese, seria vitória assegurada. Seria.Em política não existe transferência automática de votos.Na reta final, Lula e Flávio chegam empatados tecnicamente nas principais pesquisas.O que mudou? Mudou que o presidente, que passou o primeiro turno dizendo que não daria atenção a um adversário “desqualificado”, e dedicou ao passado sombrio do Zero Um poucos segundos da propaganda eleitoral, percebeu que tinha chance real de derrota e partiu para o confronto. Esse confronto finalmente aconteceu nos debates da TV, em que as máscaras do rival “moderado” caíram, e na nova estratégia digital, comandada agora por André Janones, deputado mineiro que ensinou o beabá das redes para o entorno do petista e mobilizou mais de sete milhões de seguidores no WhatsApp.Foi dali que saiu o comando para os apoiadores, até então tímidos, do presidente quebrarem a letargia e tomarem as ruas, enquanto faziam a lição de casa para virar votos e diminuir o índice de abstinência entre um turno e outro.
Não se pode dizer que a turma não trabalhou.A onda surtiu efeito, e a ampla vantagem esperada pelo Zero Um nas pesquisas não veio.O resultado é um confronto aberto que, tudo indica, será decidido por margem ainda mais estreita do que nos últimos pleitos. O Brasil sai de mais uma campanha marcada pela agressividade ainda mais dividido, violento e com metade do eleitorado enraivecido e esperando a primeira brecha para tomar as ruas novamente. Um problema e tanto para quem estiver na cadeira presidencial em 2027.
Um problema e meio para quem sair derrotado neste domingo.
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