Em mesa com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, na Conferência Internacional de Bancos do Santander, na Espanha, a presidente-executiva do grupo, Ana Botín, comentou as expectativas do Santander nos países em que atua. “Uma das razões pelas quais estou tão confiante de que o Santander entregará tudo e mais do que dissemos é a América Latina.” Entre os países latino-americanos, Botín destacou o Brasil.
“O Brasil é um dos poucos, se não o único grande país que tem tudo o que você precisa hoje, matriz de energia limpa, grande população, minerais críticos”, afirmou a executiva. “É difícil quando me perguntam quem vence a eleição neste país ou naquele.
Que diferença isso faz? Quero dizer, o mercado, não importa qual governo esteja no Brasil, sempre melhora. [...] O Brasil sempre melhora lentamente.”
Mais cedo, na abertura do evento, Botín defendeu a integração dos mercados de capitais europeus e a revisão de exigências regulatórias que, na avaliação dela, limitam a capacidade de financiamento dos bancos. A executiva defendeu uma regulamentação mais simples e uma recalibração das exigências de capital, sem abandonar os mecanismos de supervisão.
Ela também propôs que as autoridades considerem a competitividade e o crescimento como objetivos complementares à estabilidade financeira. “Estamos a dizer que é necessária uma regulamentação e supervisão inteligentes, não desregulamentação, mas uma recalibração e um enquadramento simples, não mais fraco.”Para Botín, é necessário mobilizar recursos para investimentos dentro da própria Europa para acelerar o crescimento e fortalecer a economia regional.
“A tarefa que temos pela frente é clara. A resiliência é a base.
O crescimento é o objetivo. E o investimento é a ponte.”
Botín afirmou ainda que o crescimento econômico global tem demonstrado resiliência diante de sucessivos choques, mas destacou que essa resistência ocorreu à custa de menor expansão da atividade e de maior endividamento. “Não pode haver crescimento sem uma forte resiliência, mas para sermos resilientes, temos de acelerar o crescimento”, afirmou, em alusão ao tema do evento, que é “impulsionando o crescimento e construindo resiliência”.
Segundo a executiva, a economia mundial cresce atualmente cerca de metade de um ponto percentual a menos do que nas duas primeiras décadas do século. Embora a diferença pareça pequena, ela representa, em cinco anos, aproximadamente US$ 10 trilhões em PIB combinado, equivalente à soma das economias da Alemanha e do Japão.
Para Botín, evitar que o baixo crescimento se torne estrutural é uma das principais prioridades. “Sem um crescimento mais alto não há segurança, sem um crescimento mais alto as pensões estão em risco, não há transição climática, tensões sociais, estamos a ver isso em muitos países.”
*A jornalista viajou a convite do Santander A presidente-executiva do Santander, Ana Botín, e a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva
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