Brasil se une à Índia para desenvolver novo foguete orbital capaz de levar mais de 100 kg de satélites ao espaço, usando tecnologias dos dois países em projeto que terá dois anos de estudos

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O Brasil deu mais um passo no desenvolvimento de tecnologia espacial própria. A empresa brasileira Concert Technologies fechou uma parceria com a indiana Skyroot Aerospace para estudar a criação de um foguete orbital brasileiro com capacidade de transportar satélites até a órbita baixa da Terra.

O acordo foi assinado em 7 de outubro de 2026, durante o Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), realizado em Antalya, na Turquia. Conforme publicado pela CNN Brasil, a proposta é desenvolver um lançador capaz de levar mais de 100 kg de carga útil para a órbita baixa da Terra, combinando tecnologias dos dois países.

Para entender a diferença, basta olhar para o projeto brasileiro que já está em desenvolvimento. O Microlançador Brasileiro (MLBR) foi projetado para transportar até 40 kg de carga.

Já o novo veículo terá capacidade prevista de pelo menos 100 kg, ou seja, duas vezes e meia o limite do MLBR. A ideia é criar uma opção intermediária entre o foguete brasileiro e os lançadores maiores da família Vikram, desenvolvidos pela Skyroot Aerospace.

O projeto também pretende atender ao mercado internacional de satélites, principalmente clientes interessados em lançamentos para órbitas equatoriais. Apesar da assinatura, o novo foguete ainda está na fase de planejamento.

O documento firmado pelas empresas é um Memorando de Entendimento (MoU), que estabelece as bases para estudar a cooperação tecnológica. O acordo prevê dois anos de trabalho para aprofundar as definições técnicas e comerciais do lançador.

Nesse período, as empresas deverão avaliar como aproveitar tecnologias brasileiras e indianas no mesmo veículo. Questões como fabricação, fornecimento de equipamentos, investimentos e comercialização ainda dependem de negociações futuras.

O CEO da Concert Space, Rafael Mordente, destacou que a parceria representa uma oportunidade para os dois países ampliarem sua participação na indústria espacial. Segundo o executivo, Brasil e Índia podem atuar não apenas como consumidores, mas também como desenvolvedores e fornecedores de tecnologia.

Uma das bases tecnológicas da parceria é o Microlançador Brasileiro, projeto que busca ampliar a capacidade nacional de colocar pequenas cargas em órbita. O programa recebe financiamento da Finep, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Os recursos vêm do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), enquanto a Agência Espacial Brasileira (AEB) realiza o acompanhamento técnico. Além da Concert Technologies, as empresas Fibraforte e BIZU Space também participam do desenvolvimento do MLBR.

As três estiveram representadas no IAC 2026, evento que reuniu empresas e instituições do setor espacial. A cooperação ganhou outro desdobramento em outubro.

As empresas também firmaram um contrato para testar o sistema brasileiro de navegação SNI-GNSS no próximo voo do foguete indiano Vikram I. Segundo a divulgação da Concert Technologies, o equipamento foi desenvolvido para integrar os sistemas de navegação e controle do MLBR.

O teste permitirá reunir mais dados sobre o funcionamento da tecnologia em condições reais de lançamento. Esse contrato é separado do memorando para estudar o novo foguete orbital.

A data de lançamento do veículo desenvolvido em conjunto ainda não foi anunciada. Essa matéria utilizou como base este artigo da CNN.

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