Após perder a mãe em ataque de urso, engenheiro indiano cria sistema para alertar moradores

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Depois que a mãe morreu em um ataque de urso, o engenheiro de software Mudasir Ali decidiu usar sua profissão para tentar evitar que outras famílias enfrentassem a mesma situação. Aos 33 anos, ele criou o Wildping, plataforma gratuita na qual moradores da Caxemira registram avistamentos de animais perigosos.

Pessoas que acompanham aquela região recebem um alerta no celular e podem recolher as crianças, mudar de caminho ou pedir ajuda antes de um possível encontro. “Passei por essa dor e não quero que mais ninguém passe por isso”, disse Ali à AFP, em reportagem publicada na sexta-feira (6).

O engenheiro afirmou que a morte da mãe o levou a pensar em uma tecnologia voltada às comunidades que vivem nas áreas com maior incidência de ataques. Lançado em outubro, o Wildping recebeu aproximadamente 9 mil visitantes em menos de um mês.

Segundo Ali, centenas de pessoas já retornam regularmente à plataforma, disponível em inglês, hindi e urdu. Alertas ao redor de casas, escolas e caminhos

Cada usuário pode criar zonas de monitoramento ao redor de lugares específicos, como a própria casa, uma fazenda, uma escola ou o trajeto percorrido pelas crianças. Quando alguém registra um urso, um leopardo ou outro animal nas proximidades, o sistema envia uma notificação a quem acompanha aquela área.

A plataforma funciona como uma rede alimentada pelos próprios moradores. O primeiro aviso depende de alguém observar o animal e registrar sua localização.

A partir daí, a informação é distribuída às pessoas que podem cruzar aquela região. O Wildping também reúne os avistamentos num mapa, permitindo consultar os relatos mais recentes antes de sair de casa ou escolher um caminho.

A proposta é ganhar tempo. Em seu site, a plataforma explica que alguns minutos podem ser suficientes para manter crianças dentro de casa, evitar uma caminhada ou chamar as autoridades responsáveis.

Ursos concentram os ataques na região Ao menos 50 pessoas morreram e centenas ficaram feridas em ataques de animais selvagens na Caxemira desde 2023, segundo dados oficiais citados pela AFP.

Duas espécies de urso vivem na região. O urso-negro-do-himalaia ocupa áreas montanhosas cobertas por florestas, enquanto o urso-pardo costuma aparecer em altitudes maiores.

Leopardos também circulam pelas matas. O urso-negro-do-himalaia responde por mais de 80% das mortes e ferimentos provocados por animais selvagens na região, de acordo com especialistas ouvidos pela agência.

A redução das florestas e dos habitats naturais tem aproximado esses animais das áreas habitadas em diferentes pontos do Himalaia. Na Caxemira, cercas e estruturas instaladas durante décadas de conflito também interferiram nas rotas percorridas pela fauna, segundo a reportagem.

Um dos primeiros relatos enviados ao Wildping veio de Yasir Iqbal, de 34 anos. Ele contou à AFP que encontrou um urso e registrou imediatamente o avistamento na plataforma.

“Muitas pessoas em nossa aldeia já estão usando”, afirmou Iqbal. “É um sistema útil que pode ajudar a salvar vidas ao informar onde animais selvagens foram vistos.”

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