Brasil ganha protagonismo global em biocontrole na Abim 2026

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Fonte da notícia: Canal Rural Canal Rural

Foto: Leonardo Gottems O Brasil demonstrou seu protagonismo no desenvolvimento, na produção e na aplicação de insumos biológicos durante a Annual Biocontrol Industry Meeting — Encontro Anual da Indústria de Biocontrole (Abim 2026), realizada em Basel, na Suíça.

Com um mercado em rápida expansão, experiência acumulada em pesquisa aplicada e empresas que investem em tecnologia e internacionalização, o país se apresentou como uma das principais referências globais em biocontrole, despertando interesse de distribuidores e parceiros comerciais de diferentes regiões.

Segundo o estrategista de agronegócio da Bizup Strategy, Christian Pereira, o biocontrole já alcança 52% da área cultivada monitorada no Brasil, de acordo com dados da Kynetec Brasil, ante aproximadamente 30% há poucos anos. Em apresentação durante o evento, ele destacou quatro fatores que explicam essa evolução, que podem servir de modelo ao mundo: a agricultura tropical intensiva, as limitações de determinadas soluções químicas, o ambiente regulatório e décadas de pesquisa aplicada.

No Brasil, a possibilidade de realizar duas safras anuais — e, em algumas regiões, três — aumenta a pressão de pragas e doenças e permite testar e aperfeiçoar tecnologias em condições reais de campo. Ao mesmo tempo, problemas como nematoides, lagartas e resistência a fungicidas criaram oportunidades para alternativas biológicas.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Pereira também ressaltou o peso da regulação na velocidade de inovação.

Segundo as estimativas apresentadas por ele, o registro de soluções de biocontrole pode levar de um a dois anos no Brasil, enquanto, na Europa, o processo pode chegar a dez anos. Entretanto, a experiência brasileira não se resume às condições agrícolas.

Universidades, Embrapa, institutos de pesquisa e empresas contribuíram para transformar conhecimento científico em tecnologias comercialmente viáveis. Para Pereira, o desafio agora é converter o crescimento acelerado em rentabilidade sustentável, em um mercado com mais concorrentes, produtos e pressão por diferenciação.

Projeção internacional com estande brasileiro A presença brasileira na Abim 2026 também foi reforçada pelo estande do Renera (Brazilian Bioinputs Hub), iniciativa da CropLife Brasil em parceria com a ApexBrasil.

O projeto busca ampliar a visibilidade internacional da indústria nacional, promover conexões estratégicas e abrir oportunidades de negócios e cooperação científica e tecnológica. Para Renata Meliga, gestora do hub, a participação representa um avanço no posicionamento global do setor.

“Essa participação amplia oportunidades de negócios, fortalece conexões estratégicas e consolida o Brasil como referência mundial em bioinsumos”, afirmou. O estande contou também com a participação de Amália Borsari, diretora da CropLife Brasil, e Julia Pupe, gerente regulatória e institucional em bioinsumos da entidade.

A iniciativa procurou destacar a capacidade científica e industrial brasileira, a biodiversidade como fonte de inovação e a competitividade das empresas nacionais nos mercados internacionais. Indústria brasileira mira 30 países até 2030

Entre as empresas brasileiras presentes, o Ecossistema Cogny destacou-se pela agenda de expansão internacional e pelos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e capacidade industrial. Felipe Fiorese, gerente de negócios internacionais da empresa, afirmou que a participação na Abim 2026 foi marcada por reuniões com potenciais distribuidores e parceiros, especialmente na União Europeia e no Norte da África.

A estratégia do grupo é alcançar presença comercial em 30 países até 2030. Atualmente, a empresa exporta direta ou indiretamente para 15 mercados, por meio de marcas próprias e fornecimento B2B.

Tulio Silva, também gerente de negócios internacionais, ressaltou a competitividade tecnológica da indústria brasileira diante do avanço de fabricantes asiáticos. Segundo ele, os contatos realizados durante o evento reforçaram a percepção de que o Ecossistema Cogny acompanha os principais movimentos globais de inovação.

“Em nenhum aspecto o Ecossistema Cogny está atrás de nenhuma empresa do mundo de biológicos nesse momento”, declarou Silva, citando tecnologia, capacidade industrial e qualificação profissional. A estratégia de crescimento também se apoia na presença técnica junto aos produtores.

Derik Chamberlain, diretor comercial executivo da Bioma, destacou que o ecossistema conta com mais de 300 técnicos em campo e pretende ampliar essa equipe em aproximadamente 30%, chegando a cerca de 400 profissionais em 2027. Para ele, a combinação entre pessoas capacitadas, pioneirismo tecnológico e demonstração prática dos benefícios das soluções é fundamental para sustentar a expansão.

A participação na Abim 2026 evidenciou, assim, uma nova etapa para o setor brasileiro: além de ampliar a adoção doméstica, a indústria busca transformar sua experiência agrícola, capacidade de inovação e escala produtiva em competitividade internacional.

Publicação Original Canal Rural canalrural.com.br
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