Ganhamos. Sim, foi Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi principalmente nós, os brasileiros.
O maior saldo dessa eleição que ecoa mundo à fora é o despertar de consciências. O sentimento de pátria que irrompeu no peito dos cidadãos que sonham, que vivenciam o cotidiano dificultoso e querem vida melhor para filhos e netos.
Lá de fora as mensagens nos emocionam. Fizemos história e estamos sendo celebrados.
Mostramos que quando “se ergue da Justiça a clava forte, verás que um filho seu não foge à luta”. Dos rincões, de Norte a Sul, todos entenderam o perigo das nuvens negras do fascismo que se avolumavam no horizonte e acorreram às urnas.
A despeito dos impedimentos, dos ônibus guardados pelo empresariado ressentido com a aprovação da escala 6 X 1, que dará dignidade aos seus motoristas, mas na visão deles tira dos seus bolsos uma parcela de lucro. Não entenderam que funcionários felizes e descansados produzem mais e melhor.
Mãos calejadas, mãos enrugadas, mãos de pele esticadinha de juventude e esperança, apertaram o 13 nas urnas. Nos levam às lágrimas as imagens de idosos sendo carregados no colo e realizando três movimentos, para apertar as teclas das urnas, empurrados pela certeza de que o tempo que lhes resta merece ser bem vivido, com cuidado e liberdade.
Fomos revolucionários no desenrolar das eleições presidenciais em nosso país, a despeito – e principalmente – dos vários ataques à lisura do pleito. As tentativas de um golpe, quando o país goza de uma economia pujante, com um índice de quase pleno emprego (5,3% apenas de desempregados), inflação dentro da meta e crescimento do PIB de acordo com as expectativas.
Temos um presidente amado e respeitado dentro e fora do nosso território, e que tirou o seu e nosso Brasil pela segunda vez do mapa da fome -, de acordo com anúncio feito pela ONU. Lula atua no campo progressista, influindo com a sua política países da América Latina, como o México e o Uruguai, a seguirem no rumo da de resistência.
Sabemos que as conspirações golpistas são articuladas no seio da sociedade brasileira sempre que a elite se apercebe de que o seu poder está em risco e o povo toma nas mãos o seu próprio destino. O mundo assistiu admirado as multidões irem organicamente para a rua, lideradas por uma juventude vibrante e indignada contra os que queriam lhes roubar o futuro.
Tão logo o primeiro turno da eleição apontou o risco de termos no poder um jovem de 45 anos, Flávio Bolsonaro (PL), cujo “lustroso” currículo tem como principal item apenas o título de filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o chão tremeu. As ruas se transformaram em formigueiros de indignados de todas as idades.
Em comum, ser comum. Gente com a cara de Silva.
Como passaporte para a cadeira presidencial Flávio Bolsonaro exibia também o seu primeiro emprego arranjado pelo pai, em uma função burocrática em gabinete de amigo. Enquanto isto, ele estudava no Rio de Janeiro em uma universidade paga.
Era, portanto, um “funcionário fantasma”. Dali pulou para a carreira política, ainda na sombra do pai, onde permaneceu sem nunca ter portado uma carteira de trabalho formal.
Nos últimos meses, seu nome aparece com insistência no escândalo do Banco Master, de grandes proporções, e que vem sendo acompanhado como capítulos de novela. Ao sair vencedor no primeiro turno das eleições, se precipitou em nomear ministros e censurou canais de vulto nas redes, sem que o Tribunal Superior Eleitoral, cujo papel é zelar para que as eleições de todos os níveis transcorram dentro da legalidade, tranquilidade e segurança, colocasse limites nos seus avanços sobre o direito do concorrente.
Desafortunadamente, os dois integrantes da alta Corte identificados com a ultradireita e indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Kassio Nunes Marques, na condição de presidente, e André Mendonça, o seu vice, deram as costas para os seus malfeitos e agiram desbragadamente em favor de sua candidatura.
No domingo de 25 de outubro, quando se deu a segunda volta de votação, da eleição presidencial, o que se viu foi a nítida intenção de provocar o caos nas cidades país a fora, retendo ônibus nas garagens, impedindo a população de se deslocar até as urnas, a todo custo. Aviões não voaram, balsas não transportaram gente ou veículos.
Em alguns municípios foram executadas inspeções nas vias, com intensa retenção de carros “adesivados” com a sigla do Partido dos Trabalhadores (PT). Em Salvador (BA), as denúncias deram conta de que os sinais de trânsito foram desligados com o mesmo intuito, o de provocar confusão e congestionamentos.
Era preciso segurar o povo determinado a levar Lula de novo, pela quarta vez, ao Planalto. Diante do avançar da hora (o pleito se desenrola entre 8 e 17h), o PT pediu às 13h22, ao TSE, que a votação tivesse o seu horário estendido, a fim de não tirar dos eleitores o direito de votar.
Notoriamente em regiões em que a inclinação era favorável ao presidente e incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva. Também o partido de Flávio Bolsonaro fez a mesma solicitação às 15h40.
Nenhum dos dois pedidos foram atendidos pelo ministro Kassio Nunes Marques, que presidiu o TSE, nessas eleições. Na véspera os aeroportos cancelaram voos para as áreas onde Lula tem boa votação e apresentava índices maiores de intenção de votos.
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) soltou uma nota, atribuindo a interrupção ao mal tempo e a questões de segurança e logística das empresas de aviação. Mas o que ficou evidente, mesmo, foi a intenção de reter em seus estados os que pretendiam se deslocar para os seus antigos locais de nascimento, onde tiraram o título de eleitor.
Às 15h12, visto que o TSE na pessoa do ministro Nunes Marques não se posicionava, o PT deu entrada no Supremo Tribunal Federal, com o mesmo fito: o de obter o horário dilatado do pleito. O presidente do STF, Edson Fachin, esperou durante 1h30 para o TSE se pronunciar e como não resolvia nada, mandou distribuir, e, às 17h, um dos ministros, o Cristiano Zanin, deu a ordem para que o pleito fosse prorrogado, deixando evidente a má vontade – para alguns – e a incompetência, para outros -, do TSE.
O ministro Nunes Marques não emitiu nota e tampouco veio a público se explicar ou tentar acalmar a população. Tanto Nunes Marques, como o seu vice, André Mendonça, deixaram transparecer durante a campanha, de que lado estavam.
Fizeram vista grossa às manobras da Meta, empresa responsável pelo Face book, Instagram e WhatsApp, responsável por travar por dois dias a divulgação do material de campanha de Lula durante o primeiro turno. A questão foi judicializada.
A própria Meta reconheceu o erro, alegou questões técnicas, mas a peleja prossegue sem que ambos os ministros tomassem postura firme. Nada disso adiantou para o resultado com ampla margem de votos, dando a vitória a Lula.
Todas essas ações, certamente, tiveram por trás as orientações da CIA, dinheiro das BETS e a conivência silenciosa de Donald Trump e seu secretário, Marco Rubio. O secretário, que costuma receber Flávio Bolsonaro e o seu irmão, Eduardo – no momento vivendo nos Estados Unidos, depois de fugir do país sob graves acusações de trabalho de obstrução da Justiça -, foi determinante na implementação de “tarifaços” contra o Brasil, confessadamente encomendados pelos irmãos Bolsonaro.
Quanto a Trump, se fez de morto nos últimos dias, talvez para parecer “isento”. Nada foi capaz de deter o povo brasileiro.
Lula está de novo eleito, para a alegria geral. Daqui por diante, festa acabada e músicos a pé, como se costuma dizer no interior, até a posse e depois dela, ele terá de continuar contando com essa força que o levou de volta à cadeira presidencial.
Com um Congresso adverso, com maioria de oposição, sua aposta deverá ser na juventude que segue em frente e segura o rojão. E que neste quarto mandato, o “Brasil, de amor eterno seja símbolo”.
Brasil 247