247 – Diplomatas alinhados ao bolsonarismo fizeram circular entre colegas, na semana passada, uma minuta de programa de demissão voluntária para servidores do Itamaraty. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a iniciativa surgiu após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro ameaçar promover uma “faxina” no ministério.
Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), a expectativa é que a proposta seja descartada. O documento previa oferecer um pacote de benefícios a funcionários que optassem por deixar a carreira diplomática.
A intenção, de acordo com o Painel, seria incentivar a saída antecipada de servidores que pudessem sofrer retaliações em uma eventual gestão bolsonarista. Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, havia direcionado a ameaça a funcionários de carreira que, segundo ele, teriam atuado contra o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A proposta de desligamento surgiu nesse contexto, como uma forma de estimular esses profissionais a pedir a saída do serviço diplomático. A referência para a minuta foi um programa de demissões voluntárias da Organização das Nações Unidas (ONU).
A coluna não detalha os benefícios previstos, os critérios de adesão nem o número de servidores que poderiam ser abrangidos pela iniciativa. A circulação do texto ocorreu antes da definição da disputa presidencial.
A vitória de Lula alterou o cenário em que os diplomatas bolsonaristas discutiam o programa e, conforme a publicação, deve levar ao abandono da ideia. Um diplomata ligado à atual gestão, que teve acesso à minuta, ironizou a antecipação dos colegas.
Na avaliação dele, os autores “mataram aulas de história contemporânea do Brasil e não viram que FHC sentou na cadeira antes da hora e pagou por isso”.
Brasil 247