247 – A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou, em entrevista ao Bom Dia 247, que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa a continuidade de um projeto de ampliação do acesso à educação e de garantia de direitos para a juventude brasileira.
Ao analisar o significado da vitória eleitoral para uma geração que cresceu em meio à polarização política e aos ataques às universidades, a dirigente estudantil destacou o legado das políticas educacionais dos governos petistas e as perspectivas para o quarto mandato presidencial.
“Lula é o presidente que mais fez pela juventude brasileira e que mais fez pela educação no nosso país”, declarou Bianca. Para ela, o reconhecimento das transformações promovidas durante os governos do presidente ajuda a explicar a mobilização dos estudantes em defesa de sua reeleição.
“Nós temos ciência de que educação é o nosso principal passaporte para um futuro de dignidade, para um futuro de melhores condições de vida”, acrescentou. Segundo a presidenta da UNE, a expansão do ensino superior modificou a realidade de milhões de famílias brasileiras, permitindo que jovens de diferentes origens sociais ingressassem nas universidades.
Ela ressaltou que muitos estudantes que atualmente frequentam instituições de ensino superior são os primeiros de suas famílias a alcançar essa etapa da formação. Outros pertencem à segunda geração de universitários, resultado das políticas de democratização do acesso à educação implementadas nas últimas décadas.
“Nós hoje temos na sala de aula muitos que são as primeiras gerações da sua família ou, às vezes, a segunda geração, porque os pais, graças às políticas de democratização de acesso ao ensino superior, já tiveram a possibilidade de acessar a universidade”, explicou. Na avaliação de Bianca, essa experiência contribuiu para estabelecer uma relação entre a juventude e o projeto político representado por Lula.
Mesmo entre estudantes que eram crianças durante os primeiros mandatos do presidente, os efeitos da expansão educacional permanecem presentes na trajetória de suas famílias e nas oportunidades de formação profissional. A dirigente também destacou a criação dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia como uma das políticas que ampliaram as possibilidades de acesso ao ensino público.
Segundo ela, a expansão dessa rede permitiu levar oportunidades de formação a regiões que historicamente enfrentavam dificuldades para oferecer educação técnica e superior à população. “Apesar de não ter tido a oportunidade de acessar o ensino superior, o presidente Lula foi o presidente que mais fez universidades, criou os institutos federais no nosso país”, afirmou.
Bianca acrescentou que a expansão da rede federal continua sendo uma prioridade. “Estamos indo aí rumo aos mil institutos federais, que têm se mostrado uma política fundamental para a democratização do acesso à educação pública de qualidade.”
Para a presidenta da UNE, a defesa da educação também está relacionada às condições materiais que permitem aos jovens permanecer nas instituições de ensino. Ela observou que uma parcela dos universitários brasileiros precisa conciliar os estudos com o trabalho, situação que torna as políticas trabalhistas, de transporte e de assistência estudantil parte da agenda de democratização educacional.
Nesse contexto, Bianca mencionou o apoio de Lula ao fim da escala de trabalho 6×1, proposta que considera importante para os estudantes trabalhadores. A dirigente argumentou que a organização da jornada de trabalho interfere diretamente no tempo disponível para frequentar aulas, estudar e participar das atividades universitárias.
“Lula foi o presidente que possibilitou, travou o enfrentamento político ao nosso lado pelo fim da escala 6 por 1. E isso é fundamental porque grande parte dos que estão na universidade hoje são trabalhadores”, afirmou.
A presidenta da UNE também apontou a proposta de tarifa zero no transporte público aos finais de semana e o compromisso de implantação de um programa Pé-de-Meia Universitário como medidas que poderão ampliar as condições de acesso e permanência dos estudantes no próximo mandato. Na avaliação da dirigente, essas iniciativas devem ser compreendidas como parte de uma política que não se limita à abertura de vagas nas universidades, mas envolve a criação de condições para que os jovens consigam concluir seus cursos.
O acesso ao ensino superior, segundo ela, precisa estar acompanhado de medidas que enfrentem as dificuldades econômicas vividas pelos estudantes. Bianca também defendeu que o próximo governo coloque a educação no centro de um projeto nacional de desenvolvimento.
Entre as prioridades apontadas pela UNE está a efetivação da meta de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, prevista no Plano Nacional de Educação. “Nós temos uma luta importante a efetivar, por exemplo, que é pela concretização dos 10% do investimento do PIB em educação, uma meta do Plano Nacional de Educação desde 2012, que não foi cumprida nos primeiros dez anos”, declarou.
Segundo ela, a renovação do planejamento educacional impõe ao país o desafio de transformar as metas estabelecidas em investimentos capazes de garantir o funcionamento das instituições, a ampliação das oportunidades de formação e a qualidade do ensino oferecido à população. A presidenta da UNE ressaltou ainda que a universidade não deve ser compreendida exclusivamente como um espaço de preparação para o mercado de trabalho.
Para Bianca, as instituições educacionais também cumprem a função de desenvolver o pensamento crítico, transmitir conhecimentos sobre a história brasileira e formar cidadãos capazes de participar das decisões políticas e sociais do país. “Nas escolas, nas universidades, a gente não só aprende uma profissão, a gente não só adquire os conhecimentos matemáticos e tudo mais, mas também é onde a gente adquire senso crítico, onde a gente aprende sobre a história e o destino do nosso país”, afirmou.
Essa concepção, segundo a dirigente, diferencia o projeto educacional defendido pelo movimento estudantil da proposta que ela atribui ao adversário de Lula na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro. Bianca criticou a perspectiva de subordinar a atividade universitária exclusivamente às necessidades do setor produtivo, argumentando que a formação acadêmica deve contemplar também a pesquisa, a produção de conhecimento e o desenvolvimento social.
Para a presidenta da UNE, a reeleição de Lula preserva a possibilidade de avançar em políticas que ampliem tanto o acesso à universidade quanto os direitos dos estudantes e trabalhadores. Ela afirmou que a juventude espera participar das discussões sobre as prioridades educacionais do próximo governo e contribuir para a formulação das políticas públicas.
“Temos muita convicção de que nesse próximo mandato do presidente Lula avançaremos ainda mais para a educação, para os nossos direitos. Isso é fundamental para que quem é jovem hoje tenha perspectiva de futuro para amanhã”, declarou.
Ao relacionar a trajetória das políticas educacionais dos governos Lula às expectativas para o próximo mandato, Bianca sustentou que a ampliação das oportunidades de estudo representa uma condição para que a juventude possa construir seu futuro e participar do desenvolvimento brasileiro.
“A gente quer caminhar para um novo projeto nacional de desenvolvimento, para um projeto de educação, para um projeto de país em que a educação esteja no centro”, concluiu.
Brasil 247