A Amazon registrou lucro líquido de US$ 20,7 bilhões no terceiro trimestre, resultado 2,4% inferior ao ganho de US$ 21,2 bilhões reportado no mesmo período de 2025. O lucro líquido ajustado de US$ 1,89 por ação ficou abaixo das projeções dos analistas, que projetavam um ganho ajustado entre US$ 1,96 e US$ 2,01 para o período.
A receita também não alcançou as expectativas dos investidores, tampouco o avanço das vendas de serviços de nuvem. A queima de caixa mais elevada e os gastos de capital (capex) acima do esperado com infraestrutura computacional geraram queda de mais de 7% nas ações da companhia nesta quinta-feira (29), após o pregão regular da bolsa americana Nasdaq.
A ‘big tech’ informou que a queda anual no lucro foi impulsionada principalmente por ganhos antes de impostos de US$ 9,5 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025, que prejudicaram a base de comparação, e que foram incluídos na linha de “receitas (despesas) não operacionais”, decorrentes dos investimentos na Anthropic.
A receita total da Amazon somou US$ 201,94 bilhões no trimestre encerrado em setembro, alta de 12% na comparação anual. Os analistas previam um resultado de US$ 202,31 bilhões no período.
No segmento de computação em nuvem, a Amazon Web Services (AWS) registrou receita de US$ 46 bilhões no terceiro trimestre, alta de 39% na comparação anual. Os investidores previam um avanço de 42% a 43% na divisão.
“Acredito que o crescimento da receita de AWS abaixo do esperado ocorreu por falta de capacidade computacional não entregue a tempo, para atender a demanda”, disse a analista do Global Tech Fund da gestora São Pedro Capital, Gabriela Moraes. Os negócios de nuvem concentram a maior parte dos gastos (capex) em infraestrutura computacional para atender a demanda de inteligência artificial.
A Amazon encerrou o trimestre com caixa negativo em US$ 33,5 bilhões. Para o ano de 2026, manteve a projeção de gastos em US$ 220 bilhões.
“Nossos investimentos na AWS, voltados para funcionalidades e infraestrutura, estão dando resultados”, disse o CEO da Amazon, Andy Jassy, em nota. Ele informou que a empresa trabalha com “projeções de crescimento acima de 40% tanto para 2027 quanto para 2028”.
Para Moraes, o capex elevado e a queima de caixa maior do que o esperado “acendem a discussão sobre a necessidade da Amazon levantar mais capital”, assim como a Meta e a Alphabet, controladora do Google. Comparando as líderes de serviços de computação em nuvem, AWS, Microsoft e Google, o sócio e gestor da IP Capital, Gabriel Raoni nota que a Microsoft mantém o investimento elevado, mas ainda abaixo da geração de caixa da operação.
“O mercado, neste momento, está olhando o caixa de curto prazo. Por isso tem tratado os resultados de forma diferente, mesmo com as três receitas de serviços de nuvem crescendo fortemente”, disse.
O fluxo de caixa operacional de US$ 42,4 bilhões, reportado pela Amazon, ficou abaixo dos US$ 63,1 bilhões estimados pelo mercado. Para a estrategista global da XP, Maria Irene Jordão, “essa diferença de pouco mais de US$ 20 bilhões impacta com força o fluxo de caixa livre e evidencia uma necessidade maior de a companhia recorrer a endividamento”.
Valor