247 – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta um cenário de maior dificuldade para permanecer no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. O fortalecimento da direita nas eleições legislativas ampliou a articulação de parlamentares da oposição, que buscam construir uma candidatura única para disputar a presidência do Senado.
Os principais nomes dessa articulação são Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. Os dois negociam uma composição para evitar a divisão dos votos oposicionistas e ampliar as possibilidades de enfrentar Alcolumbre, segundo informa o Infomoney.
Embora a federação União Progressista tenha anunciado apoio ao atual presidente do Senado, a decisão não assegura os votos de todos os parlamentares das legendas que a integram. A eleição será realizada por voto secreto e exigirá maioria absoluta, equivalente a pelo menos 41 dos 81 senadores.
Direita busca candidatura única O PL deverá iniciar a próxima legislatura com a maior bancada do Senado, mas dependerá de alianças com outras legendas para disputar o comando da Casa.
Marinho é o nome preferido de setores do partido, enquanto Tereza Cristina é considerada por seus aliados uma alternativa capaz de dialogar com parlamentares do centro político. Uma das possibilidades em discussão é que Marinho dispute a presidência e Tereza Cristina negocie o comando de uma comissão estratégica, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião para 4 de novembro, quando a legenda deverá discutir a eventual oficialização da candidatura de Marinho. A disputa também envolve a relação entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Parlamentares da oposição defendem que o próximo presidente da Casa dê andamento a pedidos de impeachment de ministros do Supremo, iniciativa à qual Alcolumbre tem resistido. Apoio do Centrão não garante vitória
O apoio formal da federação União Progressista a Alcolumbre provocou divergências entre seus próprios integrantes. Tereza Cristina afirmou que os senadores do PP terão autonomia para decidir seus votos.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) também declarou que não apoiará Alcolumbre, mencionando a posição do parlamentar diante dos pedidos de impeachment de ministros do STF. Apesar das resistências, aliados do atual presidente afirmam que ele já teria votos suficientes para conquistar um novo mandato, inclusive com apoios reservados de integrantes do PL.
Em conversas com senadores eleitos, Alcolumbre também passou a defender alguma modalidade de indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo interlocutores, a proposta seria apresentada como parte de um esforço de pacificação política após as eleições.
A aproximação com essa pauta, porém, não eliminou as divergências com parlamentares que exigem medidas mais duras em relação ao Supremo. Disputa terá impacto sobre o governo Lula
A eleição para a presidência do Senado será um dos primeiros acontecimentos políticos relevantes do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comando da Casa tem influência direta sobre a tramitação de propostas econômicas, a análise de indicações para tribunais superiores e a relação institucional entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
A permanência de Alcolumbre poderia preservar canais de diálogo já estabelecidos com o Palácio do Planalto, embora não represente garantia de apoio às propostas governistas. Já a eleição de um candidato da oposição alteraria a correlação de forças na direção do Senado e daria a esse grupo maior influência sobre a definição da pauta legislativa.
Com a votação secreta e a possibilidade de divergências entre as orientações partidárias e os votos individuais, a disputa permanece aberta e deverá intensificar as negociações políticas até fevereiro de 2027.
Brasil 247