4 Nov (Reuters) – O governo do Irã comemorou a dura repreensão infligida a Donald Trump nas eleições de meio de mandato, declarando que os eleitores haviam rejeitado a guerra iniciada pelo presidente dos EUA, mesmo com Teerã permanecendo em alerta máximo diante da possibilidade de novos ataques.
“Por uma questão de consciência ou pelo custo de vida, os norte-americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem”, postou no X o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, principal negociador do Irã, acrescentando que Washington não deveria ignorar a opinião pública ao atacar seu país novamente.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou em uma declaração por escrito que a hostilidade dos EUA persistiria independentemente de qual partido estivesse no poder, alertando contra “até mesmo a menor inclinação para a submissão” aos EUA. “Os EUA veem o fim de sua hegemonia como algo distante; nós o vemos como algo próximo”, acrescentou.
Os democratas conquistaram a maioria tanto no Senado quanto na Câmara nas eleições de terça-feira, com vitórias em redutos republicanos que ressaltam a profunda frustração com a gestão econômica de Trump e sua decisão de iniciar uma guerra que elevou os preços da gasolina. “Ontem, o povo norte-americano votou contra políticas que só servem para empobrecer as pessoas.
Contra o ódio”, disse Pedro Sánchez Khamenei alertou que a resposta do Irã a qualquer nova agressão dos EUA será em escala muito maior
Trump reconheceu em entrevistas a dois veículos de comunicação que a guerra entre os EUA e Israel teve um papel nas derrotas republicanas. No Irã, um veículo de notícias administrado pelo Poder Judiciário compartilhou uma piada que circulava no X de que “Trump fracassou na tentativa de mudança de regime no Irã, mas teve sucesso no Texas”, uma referência ao Estado do sul onde um democrata venceu a disputa pelo Senado pela primeira vez em décadas.
Mas duas fontes iranianas de alto escalão disseram à Reuters que, embora os líderes iranianos tenham acolhido a vitória dos democratas, Teerã está preocupada com a possibilidade de Trump tentar compensar isso com um ataque militar e permanece em alerta máximo. Os mediadores intensificaram os esforços para pôr fim à guerra em meio a temores de que ela possa reacender após a eleição, com Trump se recusando, na terça-feira, a descartar a retomada das operações de combate após a votação e o Irã planejando uma retaliação mais ampla caso a guerra recomece.
Os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o Irã respondeu com ataques a Israel e aos países do Golfo que abrigam bases americanas. O conflito também eclodiu no Líbano entre o Hezbollah, apoiado pelo Irã, e Israel, e mais recentemente se espalhou para o Iêmen, de onde os houthis, alinhados ao Irã, atacaram instalações de energia, aeroportos e outros alvos na Arábia Saudita.
Os preços globais do petróleo e do gás dispararam, com o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz severamente interrompido após Teerã declarar seu fechamento, enquanto os EUA impuseram um bloqueio naval ao Irã, afetando duramente a economia iraniana.
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