247 – O avanço contínuo das novas gerações de eleitores culminou em um marco histórico para o Legislativo dos Estados Unidos: a partir de 2027, o Congresso norte-americano contará com a maior representação de parlamentares autodeclarados socialistas democratas da sua história. O grupo, formado por expoentes vinculados ao Partido Democrata, expandiu expressivamente sua presença ao conquistar cinco novas vagas nas eleições legislativas de meio de mandato, informa a Folha de São Paulo.
A vitória expressiva nas urnas assegura que a bancada da vertente salte das atuais duas representantes para pelo menos sete integrantes na próxima legislatura. A renovação inclui a eleição de Darializa Avila Chevalier e Claire Valdez pelo estado de Nova York, Melat Kiros pelo Colorado, Donavan McKinney pelo Michigan e Chris Rabb pela Pensilvânia.
Antes do pleito deste ano, a representatividade da tendência em Washington restringia-se às deputadas Alexandria Ocasio-Cortez (AOC), de 37 anos, que garantiu a reeleição para o quinto mandato por Nova York, e Rashida Tlaib, de 50 anos, reeleita para representar o Michigan. Especialistas e analistas políticos apontam que a projeção nacional e a tração da corrente têm sido impulsionadas pela atuação do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
Eleito em 2025 com 50,8% dos votos e empossado em janeiro passado, o gestor público — que também integra os socialistas democratas — consolidou-se como uma expressiva liderança eleitoral no país. Em declaração concedida à rede pública de rádio NPR logo após a apuração das urnas, Mamdani destacou o significado político das eleições: “a América elegeu uma nova classe de lideranças”.
O prefeito nova-iorquino reforçou que a jornada eleitoral foi um marco histórico para os democratas socialistas e que os resultados demonstraram “o poder dos eleitores da classe trabalhadora”. Fundada em 1982 na cidade de Detroit, no Michigan, a partir da unificação de duas organizações afins, a corrente política contesta as bases econômicas tradicionais do país.
Em suas diretrizes centrais, o grupo sustenta que “o capitalismo é um sistema concebido pela classe proprietária para explorar o restante de nós em benefício próprio”. Com base nessa premissa, a organização defende a substituição do modelo econômico sob hegemonia norte-americana pelo socialismo democrático, definido pela vertente como “um sistema no qual as pessoas comuns tenham voz real em seus locais de trabalho, em seus bairros e na sociedade como um todo”.
Os integrantes refutam categoricamente a equiparação com regimes autoritários, afirmando que deixam “na lata de lixo da história as concepções autoritárias de socialismo”. A plataforma programática do grupo abrange propostas estruturais como a criação de um sistema universal de saúde pública, a redução de verbas destinadas às forças policiais e o combate ostensivo à emergência climática.
Nos últimos anos, a pauta da vertente ganhou ainda mais densidade com a inclusão de duas bandeiras centrais. A primeira é o encerramento do apoio militar norte-americano prestado a Israel.
Os integrantes da ala mantêm duras críticas às operações de genocídio promovidas por Tel Aviv na Faixa de Gaza e na Cisjordânia — alinhamento que gera embates com setores tradicionais e moderados do próprio Partido Democrata. O prefeito Mamdani, de fé islâmica, é um dos críticos mais veementes dessa política externa.
A segunda prioridade é o fim da agência de imigração e alfândega dos Estados Unidos (ICE), vinculada ao Departamento de Segurança Interna. A agência, criada no início dos anos 2000 no contexto de resposta governamental aos atentados de 11 de Setembro, teve suas prerrogativas e poder de atuação ampliados durante a administração de Donald Trump na repressão à imigração.
Brasil 247