Um ataque hacker atingiu, na madrugada entre domingo (1º) e segunda-feira (2), sistemas de refrigeração de três unidades regionais do Serviço Francês de Sangue (EFS, na sigla em francês), na França. A invasão alterou os limites de temperatura e descongelamento de câmaras frigoríficas que armazenavam plasma destinado a transfusões e à fabricação de medicamentos.
Segundo as autoridades francesas, os mecanismos de monitoramento e alarme detectaram as alterações a tempo de evitar perdas de produtos sanguíneos. iPhone Duo: O GLOBO testa primeiro dobrável da Apple; veja o review e as novidades
Apagão elétrico e colapso financeiro: os riscos da IA, segundo um de seus principais criadores O Ministério da Saúde da França informou nesta quarta-feira que a situação está sob controle e que as investigações estão em andamento.
O EFS afirmou que não houve consequências para a saúde nem perda de produtos, e que as atividades de coleta e distribuição de sangue continuam normalmente. O ataque atingiu equipamentos de refrigeração fornecidos por uma empresa terceirizada, e não diretamente os sistemas do EFS.
A instituição confirmou que não foi o alvo da invasão. As bolsas de plasma foram transferidas para locais seguros ou protegidas antes que fossem comprometidas.
Ataque elevou temperaturas a níveis extremos Segundo o EFS, os limites de temperatura e descongelamento dos equipamentos foram elevados a níveis muito altos.
O jornal francês Le Canard Enchaîné, que noticiou o caso inicialmente, informou que os invasores tentaram alterar a temperatura de armazenamento, normalmente mantida em torno de -30°C, para até 110°C. Os sistemas de monitoramento identificaram as anomalias, permitindo que as equipes interviessem antes que os produtos fossem danificados.
O plasma armazenado nas unidades era destinado tanto a transfusões quanto à produção de medicamentos. O EFS é o serviço público responsável pela coleta, análise, preparação e distribuição de sangue, plasma e plaquetas na França.
A instituição atende mais de um milhão de pacientes por ano e abastece mais de 1,9 mil hospitais no país. O Ministério da Saúde francês informou que o acesso remoto aos equipamentos afetados foi desativado.
As autoridades investigam como a invasão foi realizada, quais equipamentos foram comprometidos e em que condições os sistemas poderão voltar a operar com segurança. Ataques também atingiram supermercados europeus
O episódio ocorre em meio a uma nova onda de ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de estabelecimentos comerciais na Europa. Na segunda-feira, supermercados de diversos países registraram alterações nas temperaturas de geladeiras e freezers, em alguns casos com aquecimento dos equipamentos e perdas de alimentos.
Segundo a Reuters, os incidentes atingiram estabelecimentos em oito países europeus. O The Guardian também relatou problemas em sistemas de refrigeração na Bélgica, Estônia, Irlanda, Finlândia, Luxemburgo, Holanda e Suécia, além de ocorrências posteriores em outros países.
A nova sequência de ataques acontece semanas depois de uma ofensiva semelhante na França, em outubro, quando hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração de centenas de supermercados. Na ocasião, estabelecimentos precisaram descartar alimentos, e alguns equipamentos chegaram a apresentar risco de incêndio.
Até o momento, não houve reivindicação de autoria dos ataques. Os episódios ampliaram as preocupações sobre a segurança de equipamentos conectados à internet que controlam infraestruturas essenciais, como sistemas de conservação de alimentos e de armazenamento de produtos médicos.
As autoridades francesas e os órgãos responsáveis pela segurança cibernética investigam o caso. Ainda não há confirmação sobre os responsáveis nem sobre a motivação da invasão.
O Globo