As disputas das ‘midterms’ que Wall Street e outras instituições financeiras estão acompanhando

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Fonte da notícia: Globo Globo

Wall Street e os participantes do mercado financeiro estão acompanhando as eleições de meio de mandato (“midterms elections”) nos EUA este ano, observando questões que vão além de qual partido controlará o Congresso. Algumas disputas, excepcionalmente competitivas, podem definir o destino de importantes aliados e adversários políticos do setor financeiro, além de ajudar a moldar políticas sobre criptomoedas, cartões de crédito, regulação financeira e o “boom” de investimentos em inteligência artificial.

O que está em jogo vai além da política legislativa em Washington. Uma vitória em uma ou em ambas as casas do Congresso daria aos democratas ferramentas poderosas, que eles planejam utilizar para investigar diversas empresas do setor financeiro e seus órgãos reguladores.

Paralelamente, algumas disputas para governos estaduais podem determinar o destino de trilhões de dólares em investimentos em infraestrutura para inteligência artificial. Confira abaixo as disputas eleitorais de meio de mandato que instituições financeiras e investidores estão acompanhando de perto, segundo analistas e executivos do setor:

DISPUTA PARA O SENADO EM OHIO — SENADOR JON HUSTED VS. SHERROD BROWN

Sherrod Brown, democrata e conhecido crítico de Wall Street — além de cético em relação a criptomoedas —, busca retornar ao Senado após perder sua cadeira em 2024. Desta vez, ele enfrenta o senador republicano Jon Husted, que assumiu o posto após a saída do ex-senador JD Vance (republicano de Ohio), que se tornou vice-presidente.

Grupos ligados ao setor de criptomoedas investiram mais de US$ 50 milhões para derrotar Brown, tornando esta disputa uma das mais caras e observadas, servindo como um teste da crescente influência política do setor. Brown cumpriu 18 anos no Senado antes de perder seu mandato.

Caso os democratas conquistem o Senado e reconheçam a antiguidade de Brown com base em seu período anterior no cargo, ele poderia voltar a liderar o Comitê Bancário do Senado — que supervisiona os órgãos reguladores financeiros — ou assumir um papel de destaque no Comitê de Agricultura, que trata de algumas questões regulatórias relacionadas a criptomoedas.

Isso lhe daria uma posição privilegiada para fiscalizar esses setores. Pesquisas recentes mostram Brown à frente por até cinco pontos percentuais, ou em situação de empate.

DISPUTA PELO SENADO NO KANSAS – SENADOR ROGER MARSHALL VS. ADAM HAMILTON

Embora o Kansas não tenha sido, historicamente, um campo de batalha político, o cenário mudou tanto a favor dos democratas que o senador republicano Roger Marshall enfrenta agora uma disputa acirrada contra seu adversário democrata, Adam Hamilton. Enquanto Wall Street costuma favorecer os republicanos — que, por sua vez, frequentemente defendem uma regulação e uma fiscalização mais brandas —, Marshall tem sido um dos principais defensores de uma legislação que limita as taxas cobradas pelos bancos aos lojistas em transações com cartão de crédito.

Há anos, os bancos combatem esses limites, que poderiam prejudicar seus lucros, e estão cada vez mais preocupados com o fato de essa ser uma das poucas pautas que unem democratas e republicanos. Uma pesquisa recente mostra Hamilton à frente por uma margem estreita.

DISPUTA PELO SENADO NO TEXAS – JAMES TALARICO VS. KEN PAXTON

Considerada uma das disputas para o Senado mais caras da história, o confronto acirrado entre o procurador-geral republicano do Texas, Ken Paxton, e o democrata James Talarico — em um estado populoso e reduto conservador — é visto como um teste da capacidade dos democratas de avançar em um território tradicionalmente republicano.

Uma vitória de Talarico marcaria o primeiro triunfo democrata em uma eleição estadual no Texas em décadas. Paxton, por sua vez, tem um histórico conturbado com Wall Street, tendo adotado uma postura rígida contra bancos e gestoras de ativos que ele acusou de adotar políticas de empréstimo e investimento alinhadas a pautas progressistas (o chamado "woke").

Paxton liderou investigações envolvendo vários Estados contra diversas empresas de Wall Street por causa de suas políticas climáticas e de diversidade, chegando, em alguns casos, a abrir processos judiciais. Pesquisas recentes mostram Talarico à frente, com uma vantagem que varia entre dois e oito pontos percentuais.

DISPUTA PELO SENADO EM NEBRASKA – SENADOR PETE RICKETTS VS. DAN OSBORN

Em mais uma disputa acirrada no Centro-Oeste, o senador republicano Pete Ricketts enfrenta o candidato independente Dan Osborn. Ricketts é membro da Comissão de Assuntos Bancários do Senado, onde apoiou uma legislação favorável ao setor de criptoativos.

Segundo o portal Politico, a indústria de criptomoedas destinou recursos para a campanha de Ricketts. Ricketts também possui laços com o setor financeiro, tendo atuado anteriormente no conselho de administração da TD Ameritrade, empresa fundada por seu pai.

Enquanto isso, Osborn, ex-líder sindical, também criticou as taxas cobradas em transações com cartão, classificando-as como um "golpe" que impõe custos injustos a pequenas empresas e comunidades. Pesquisas recentes indicam uma disputa acirrada.

DISPUTAS PARA GOVERNO ESTADUAL PODEM INFLUENCIAR PLANOS DE INVESTIMENTO EM IA A crescente oposição pública aos data centers tornou-se um ponto de tensão durante as eleições de meio de mandato; um bom desempenho do Partido Democrata pode, potencialmente, dificultar a expansão do setor — um movimento que, até então, vinha impulsionando as ações das empresas envolvidas.

Como as autoridades estaduais e locais detêm o poder de supervisão sobre o planejamento e o licenciamento de data centers, os investidores estarão excepcionalmente atentos às disputas estaduais. Segundo a Beacon Policy Advisors, dez disputas para governador determinarão o destino de US$ 2,5 trilhões em investimentos planejados.

Entre elas, a Beacon destacou o Texas, a Geórgia e Ohio como as corridas eleitorais para governador mais competitivas — nas quais os candidatos apresentam visões bastante divergentes sobre os temas em pauta e onde há o maior número de projetos em andamento. Estrategistas do banco de investimento Morgan Stanley apontaram essas disputas, além daquelas na Pensilvânia, Nevada, Wisconsin e Michigan, como pleitos que merecem atenção especial.

DISPUTAS ENVOLVENDO MEMBROS DO COMITÊ DE SERVIÇOS FINANCEIROS DA CÂMARA O deputado federal americano French Hill, republicano do Arkansas e ex-banqueiro, preside atualmente o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, órgão que supervisiona os reguladores do setor financeiro e lidera as discussões sobre políticas voltadas para Wall Street.

Hill, que tem defendido políticas favoráveis ​​ao setor bancário, enfrenta uma disputa acirrada contra o democrata Chris Jones. O Comitê de Campanha Democrata para a Câmara incluiu recentemente a cadeira de Hill em sua lista de distritos atualmente ocupados por republicanos que o partido espera conquistar.

Outra disputa que está no radar da indústria de criptoativos é a que ocorre entre o deputado federal americano Sean Casten, democrata de Illinois, e a empresária republicana Niki Conforti. Casten tem defendido abertamente a investigação das conexões da administração Trump com o setor de criptoativos, bem como a implementação de regras mais rigorosas para o segmento.

O portal Punchbowl News informou, no mês passado, que Casten chegou a considerar desafiar a deputada Maxine Waters — atualmente a principal representante democrata no comitê — pela presidência do colegiado, caso os democratas conquistem a maioria na Câmara. James Talarico, o oponente democrata de Paxton na eleição para o Senado pelo Texas

Bloomberg

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