Fundador do Novo apoiou Bolsonaro em 2018, votou em Lula em 2022 e diz que será oposição a qualquer vencedor em 2026 O empresário João Amoêdo, fundador do Novo, declarou nesta sexta-feira, 23, voto no presidente Lula (PT) no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Apesar da escolha, afirmou que será oposição a qualquer um dos dois que vencer a eleição no domingo, 25. “Entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção”, escreveu Amoêdo em publicação no X.
O empresário fez críticas aos dois candidatos e afirmou encarar a repetição de uma disputa entre petismo e bolsonarismo com “frustração e preocupação”. Segundo ele, o país foi incapaz de construir nos últimos anos uma alternativa competitiva aos dois grupos políticos.
“Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha”, afirmou. Amoêdo acusou Lula de ter errado “do início ao fim” do terceiro mandato.
Entre as críticas, citou a condução das contas públicas, o aumento de gastos, a manutenção da polarização política e as indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF). Também criticou a decisão do petista de concorrer novamente à Presidência.
Sobre Flávio, disse que o senador não tem credenciais para comandar o país e atacou sua atuação parlamentar. Amoêdo também mencionou investigações e suspeitas relacionadas ao candidato e afirmou que o objetivo central do senador seria conceder indulto ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao justificar a escolha por Lula, o empresário comparou o cenário político que, na avaliação dele, resultaria da vitória de cada candidato. Argumentou que o petista faria seu último mandato, teria Geraldo Alckmin como vice e encontraria resistência no Senado.
Já Flávio, segundo Amoêdo, poderia disputar a reeleição em 2030 e governaria com um Congresso mais favorável e aliados à frente de estados importantes. “São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder”, escreveu.
Não é a primeira vez que Amoêdo declara voto em um candidato no segundo turno apesar de manter críticas a ele. Em 2018, depois de disputar a Presidência pelo Novo no primeiro turno, votou em Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad (PT).
Na ocasião, disse que seu voto havia sido contra o PT e que Bolsonaro não era o candidato que ele apoiaria em condições normais. Quatro anos depois, mudou de posição.
Em 2022, declarou voto em Lula contra Bolsonaro, argumentando que considerava a reeleição do então presidente um risco maior. A decisão provocou reação do Novo, que chegou a suspender sua filiação depois da declaração.
Agora, Amoêdo repetirá o voto no petista no segundo turno de 2026, desta vez contra Flávio. “Não expressar o que penso seria aceitar a ideia de que vivemos em um país onde as pessoas não são livres para emitirem a sua opinião pelo receio de serem agredidas”, afirmou.
O Antogonista