O índice do setor financeiro da B3 recuou 4,76% nesta quarta-feira (28) e puxou a queda de 2,68% do Ibovespa, em uma sessão marcada pela forte reprecificação de risco após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Nos três pregões realizados desde o pleito de domingo, o principal indicador da Bolsa brasileira acumula perda de 16,6%, empurrado pelo desmonte de apostas alavancadas em favor do candidato derrotado.
A retração concentrada nas instituições financeiras pressiona as condições de crédito e eleva o custo dos financiamentos para empresas e consumidores em todo o país. Além da reação à apuração das urnas, os negócios foram afetados pelas incertezas geradas pela ida do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para solicitar asilo político sob proteção de Donald Trump.
Especulação alavancada e risco de sanções Gestores do mercado financeiro relatam que fundos multimercados mantinham posições altamente alavancadas confiando na vitória da oposição.
A frustração dessa expectativa provocou uma onda de liquidação forçada de papéis para atender a pedidos de resgate de investidores. O cenário piorou com o temor de eventuais sanções do governo americano baseadas na Lei Magnitsky, após a decisão de Flávio Bolsonaro de buscar abrigo em solo norte-americano.
Analistas das gestoras apontam que os bancos são os ativos mais expostos a potenciais retaliações operacionais oriundas de Washington. O ex-analista do UBS-BB Giuliano Ajeje destacou em publicação técnica que a reação dos mercados reflete a falta de proteção das carteiras.
Segundo o especialista, o mercado pagou caro por atribuir uma probabilidade de 70% à oposição e desconsiderou o resultado das urnas. Perdas acumuladas superam índices setoriais
A desvalorização atinge com mais força os setores dependentes de crédito e consumo interno. Desde domingo, o índice do setor imobiliário acumula queda de 33,6%, o de pequenas empresas recua 30% e o de consumo perde 28,5%.
No plano individual, a empresa de locação Vamos acumula retração de 60% no valor de mercado desde o resultado eleitoral. A rede Magazine Luiza perdeu 59%, a Cosan recuou 55% e a operadora de saúde Hapvida caiu 52%.
Também pesou sobre os negócios a revisão das projeções de inflação divulgada pelo BTG Pactual. O banco elevou a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para 5,9% em 2027 e para 5,4% em 2026, alimentando o receio de uma pausa no ciclo de redução da taxa de juros pelo Banco Central.
O descalabro provocado pela aventura política no exterior e pela especulação irresponsável deixa o mercado exposto a novas ondas de liquidação. A consolidação das cotações depende agora da sustentação do crédito bancário e das próximas sinalizações da autoridade monetária.
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