Aluguel de imóveis ganha espaço e se torna escolha estratégica no Brasil

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Mudanças no comportamento dos inquilinos e cenário econômico impulsionam a procura por locações residenciais Há poucos meses, Tatianny Santos deixou o Norte de Santa Catarina para morar em Florianópolis, onde decidiu abrir um novo negócio.

Na busca por um imóvel, ela tinha prioridades bem definidas: encontrar um espaço mobiliado, bem localizado e com agilidade no processo de locação. “Eu já cheguei e consegui visitar, fazer toda formalização e no dia seguinte pegar as chaves, então pra mim, me poupou muito tempo.

Além de economizar porque se fosse em outro lugar levaria uns cinco ou seis dias para formalizar a documentação”, analisa Tatianny. A experiência reflete uma mudança no comportamento de parte dos brasileiros, para quem alugar um imóvel deixou de ser apenas uma solução temporária e passou a representar uma escolha estratégica, alinhada às necessidades profissionais e ao estilo de vida.

Para Leandro Ibagy, Diretor da Ibagy Imóveis, o mercado imobiliário atravessa um período de transformação. O cenário de juros elevados e as incertezas econômicas têm desacelerado os lançamentos residenciais e o ritmo de aquisição de imóveis, contribuindo para ampliar a relevância do mercado de locações.

“Não só o fato da Grande Florianópolis estar recebendo muitos imigrantes, não só pelo fato da Selic estar elevada o que dificulta o processo aquisitivo, mas há de se dizer que se vive desde a pandemia, o brasileiro posterga a aquisição da casa própria para poder experimentar. E hoje precisa viver o que chamamos de cinco minutos.

Cinco minutos de onde trabalha, cinco minutos de onde estuda, cinco minutos da família, cinco minutos da atividade de lazer e isso é, inclusive, muito característico da juventude que, em muitos momentos, abdica da compra de um automóvel para ter a experiência de outros meios de locomoção”, reflete Leandro.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, entre 2016 e 2025, o número de domicílios alugados no Brasil cresceu 54%, passando de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Atualmente, aproximadamente um em cada quatro brasileiros vive em imóvel alugado.

Além do crescimento da demanda, as exigências dos inquilinos também mudaram. Conectividade, mobilidade e acesso a serviços passaram a ter peso importante na escolha de onde morar.

Levantamento citado no setor aponta que 93% dos inquilinos priorizam internet de alta velocidade, 92% valorizam a proximidade do transporte público e 84% consideram importante o acesso ao comércio e aos serviços. As transformações exigem adaptação das imobiliárias, que precisam ir além da intermediação entre proprietários e inquilinos.

As imobiliárias deixaram de ser somente intermediadoras para ser gestoras técnicas e de risco. Ao mesmo tempo atualizando as operações inserindo tecnologia e mais agilidade no atendimento.

“Nossas dinâmicas perpassam pela abertura de novas agências na Grande Florianópolis e que a tecnologia tem que aflorar com muita facilidade para esse público mais jovem e confiar nessas duas jornadas. Quando se abre uma nova agência com investimento em estrutura e equipe de atendimento é para estarmos próximos dos nossos clientes daquela região, mas sem descuidarmos do braço tecnológico que permite a realização de locações de maneira virtual célere, enxuta e econômica”, conclui Leandro.

As projeções indicam um cenário ainda mais otimista no mercado de locações residenciais no Brasil, podendo crescer cerca de 23% até 2030, saltando para a marca de 22 milhões de domicílios.

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