A virada surpreendente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de domingo atingiu em cheio os mercados locais. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, os investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da bolsa brasileira, enquanto os institucionais sacaram R$ 3,3 bilhões.
No mesmo dia, o Ibovespa tombou quase 14%, e as empresas que compõem o índice perderam cerca de R$ 660 bilhões em valor de mercado. Com isso, os investidores não residentes acumulam aportes de R$ 13,3 bilhões em outubro e de R$ 40,7 bilhões no ano.
Os institucionais, por sua vez, registram retiradas líquidas de R$ 3,3 bilhões no mês e de R$ 48,1 bilhões no ano. Um detalhe nos fluxos chama atenção.
Os investidores estrangeiros começaram a realizar saques diários mais volumosos entre R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões nos dois pregões anteriores ao segundo turno, como se estivessem realizando lucros e adotando uma postura mais cautelosa diante de uma disputa que ainda seguia muito apertada.
Ao mesmo tempo, os investidores institucionais e pessoas físicas optaram por aportar bastante nas sessões que antecederam o segundo turno, elevando as apostas direcionais em torno de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), o que se mostrou imprudente e aumentou a necessidade de realizar mais ajustes, aos poucos, após o resultado eleitoral.
Ainda sob forte estresse, o principal índice da bolsa local segue em queda de quase 3% nesta quarta-feira. Na avaliação de Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor da Persevera Asset, os investidores locais não conseguiram reduzir suas posições tanto quanto gostariam na segunda e na terça-feira, apesar do ajuste relevante nas carteiras.
“Descobrimos que, na segunda, quem mais cumpriu as suas necessidades de reduzir foram os gringos, e os locais acho que participaram um pouco, mas ficaram mais fora do movimento, esperando, talvez, um 'rebound' [repique], que veio parcialmente ontem, já que a performance das domésticas foi um pouco melhor”, explica o gestor.
Enquanto os investidores refazem suas estratégias e avaliam as perspectivas para o quarto mandato de Lula, “volta o imperativo” de reduzir as posições, diz Fontoura, diante da falta de notícias positivas sobre as possíveis indicações e a postura do governo. “A atitude do governo não tem vindo de maneira importante, então acho que hoje os locais estão retomando um pouco essa movimentação de reduzir as exposições.”
Sede da B3, em São Paulo Victor Moriyama/Bloomberg
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