Alta dos combustíveis deixa passageiros de cruzeiro retidos no Camboja

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os passageiros de um navio de luxo em viagem ao redor do mundo foram informados de que sua parada final inesperada seria no Camboja, depois que a empresa de cruzeiros suspendeu as operações, alegando custos “extraordinários” com combustível. O navio Odyssey, da Villa Vie Residences, com sede na Flórida, com capacidade para 650 passageiros, está atracado em Sihanoukville, no Camboja.

A empresa “está trabalhando com os passageiros para coordenar o desembarque e identificar opções de acomodação temporária”, informou a companhia em comunicado nesta terça-feira. Segundo a Villa Vie Residences, os custos com combustível aumentaram mais de 300% desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, tornando o “modelo operacional atual extremamente desafiador”.

Os gastos com combustível por cabine, que historicamente giravam em torno de US$ 1.800 por mês, dispararam para valores entre US$ 6.000 e US$ 8.000, informou a empresa. O Odyssey está no mar desde outubro de 2024 e seus passageiros alugam, são proprietários ou têm cabines em regime de aluguel com opção de compra no navio.

A embarcação partiu de Belfast, na Irlanda, para uma viagem “contínua” ao redor do mundo, de acordo com o site da empresa de cruzeiros. Os custos das viagens — seja de avião, carro ou navio — dispararam depois que o conflito com o Irã provocou uma alta nos preços do petróleo e de seus derivados, incluindo diesel, gasolina e querosene de aviação.

Esses custos elevados estão pressionando os resultados financeiros das empresas, alimentando a inflação e provocando efeitos em cadeia na economia global. O óleo combustível com teor muito baixo de enxofre — um combustível comumente utilizado em navios de cruzeiro — custava US$ 962 por tonelada métrica em Cingapura na terça-feira.

O preço recuou em relação aos picos registrados durante a guerra, mas continua bem acima dos pouco mais de US$ 500 por tonelada cobrados antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã. De acordo com um folheto da Villa Vie, o preço de uma cabine para residência permanente varia de pouco menos de US$ 130 mil a até US$ 440 mil, no caso de uma suíte, com taxas mensais entre US$ 2 mil e US$ 10 mil.

“Ao folhear estas páginas, imagine-se navegando em uma odisseia contínua, na qual cada dia promete novos horizontes, lembranças preciosas e conexões afetivas”, diz o material promocional. Desde o início da guerra com o Irã, no fim de fevereiro, o navio tentou reduzir o consumo de combustível diminuindo a velocidade do itinerário e passando mais tempo nos portos.

Segundo a empresa, porém, essas medidas não foram suficientes para compensar os custos com combustível. Agora, a companhia avalia alternativas de reestruturação e recapitalização para os próximos 60 dias.

Desde o início da Guerra do Irã, no final de fevereiro, o navio tem tentado reduzir o consumo de combustível diminuindo o ritmo de sua rota e passando mais tempo no porto, mas as medidas não compensaram os custos com combustível, informou a empresa. A empresa está agora avaliando alternativas de reestruturação e recapitalização para os próximos sessenta dias.

A Villa Vie não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. “A empresa não pode simplesmente repassar aos residentes aumentos dessa magnitude”, afirmou a companhia no comunicado.

“A Villa Vie Residences reconhece que este é um período difícil e marcado por grandes transtornos para residentes, tripulantes e funcionários.”

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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