247 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não considera a possibilidade de tabelar as taxas de juros nem de utilizar as reservas cambiais brasileiras para compensar uma eventual fuga de capitais. As declarações ocorrem em meio ao debate sobre a política monetária do quarto mandato de Lula e à repercussão das propostas apresentadas pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real.
Segundo informações divulgadas pela RT, com base em declarações publicadas pelo portal g1, Durigan também negou que exista uma reunião agendada entre Lula e Lara Resende. A possibilidade de um encontro havia sido noticiada pelo jornal O Globo e repercutida por interlocutores do presidente, provocando reações no mercado financeiro.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, reforçou que não existe qualquer iniciativa do governo para estabelecer controles administrativos sobre as taxas de juros. “Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo”, afirmou Mercadante.
O dirigente do BNDES acrescentou que caberá ao presidente Lula definir a distribuição de responsabilidades na condução da política econômica. Segundo ele, a nova equipe deverá estabelecer os diálogos necessários para formular suas prioridades.
Lara Resende propõe redução gradual da Selic O debate ganhou força após André Lara Resende apresentar, no fim de setembro, uma proposta de reorganização das políticas fiscal e monetária brasileiras.
O economista defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que seria responsável por estabelecer metas de médio prazo para as duas políticas, em um horizonte de quatro a cinco anos. Pelo modelo, o Banco Central passaria a trabalhar com uma taxa básica de juros situada em um intervalo definido a partir da meta de inflação e do crescimento nominal potencial da economia.
Considerando uma meta de inflação de 3% e um crescimento real potencial de 2,5% ao ano, Lara Resende estima um crescimento nominal potencial de aproximadamente 5,5%. Sua proposta prevê uma redução gradual da Selic, atualmente indicada em 13,75% ao ano, até aproximadamente 7,5% em um período de 12 meses.
O patamar de 7,5% incluiria um adicional temporário de segurança de dois pontos percentuais, que seria retirado progressivamente à medida que as condições econômicas permitissem. A iniciativa busca reduzir o custo de financiamento da dívida pública e ampliar as condições para o crescimento econômico, embora sua implementação dependa de mudanças institucionais e da avaliação dos riscos inflacionários e cambiais.
Gleisi critica reação do mercado financeiro A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais, manifestou apoio ao debate provocado pelo artigo de André Lara Resende.
Para a parlamentar, a contribuição do economista é fundamental para enfrentar o que considera uma ofensiva contra a política fiscal brasileira. Gleisi também criticou a reação negativa de setores do mercado financeiro diante da possibilidade de um encontro entre Lula e Lara Resende.
“O mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo”, afirmou a deputada, ao defender que o presidente mantenha interlocução com economistas que apresentem perspectivas diferentes daquelas predominantes na Faria Lima. A manifestação ocorre em um momento de pressão sobre o governo para definir a orientação da política econômica do próximo mandato, especialmente em relação à trajetória dos juros, à responsabilidade fiscal e à estabilização da dívida pública.
Lula prepara decisões sobre a nova equipe econômica Após sua vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, Lula tem mantido uma agenda reservada.
Segundo as informações divulgadas, o presidente passou os últimos dias no Palácio da Alvorada e na Residência Oficial da Granja do Torto, onde descansou e procurou recuperar a voz. A definição da nova equipe econômica permanece entre as principais decisões políticas do presidente para o início de seu quarto mandato.
Embora Durigan e Mercadante tenham descartado o tabelamento dos juros e o uso das reservas cambiais para enfrentar uma eventual saída de capitais, o debate sobre a necessidade de reduzir o custo do crédito e da dívida pública continua presente nas discussões sobre os rumos da economia brasileira.
Brasil 247