Quem trabalha na linha do KC-390 da Embraer ganha a Grécia como 7º cliente europeu: 3 aviões por 590 milhões de euros, mais 3 em opção, e a Lockheed provoca dizendo que o rival tem menos de 20 feitos

Quem trabalha na linha do KC-390 da Embraer ganha a Grécia como 7º cliente europeu: 3 aviões por 590 milhões de euros, mais 3 em opção, e a Lockheed provoca dizendo que o rival tem menos de 20 feitos - Foto
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O negócio inicial vale cerca de 590 milhões de euros, perto de R$ 3,5 bilhões. A Força Aérea Helênica deve receber o primeiro avião em 2027 e pode chegar a uma frota de seis unidades se usar todas as opções.

Com a assinatura, a Grécia passa a ser o sétimo país europeu a escolher o cargueiro militar desenhado e fabricado pela empresa de São José dos Campos, no interior paulista. Segundo a Embraer, o Ministério da Defesa Nacional da República Helênica assinou a compra de três aeronaves firmes, com opções para outras três, por meio de um acordo entre os governos grego e português.

A primeira entrega está prevista para 2027. De acordo com o PortalR3, as outras duas aeronaves do contrato firme devem chegar em 2029 e em 2031.

O contrato inclui, além dos três aviões, equipamentos de missão, apoio à entrada em serviço e assistência posterior à Força Aérea grega, segundo a agência Lusa. A compra grega foi montada sobre a encomenda que Portugal já tinha feito à Embraer.

Portugal é parceiro estratégico da fabricante no programa e já opera o KC-390 na sua força aérea. Pelo acordo, os portugueses ficam com a supervisão da produção, o acompanhamento da aceitação e da entrega dos aviões, a transição operacional e o suporte logístico ao novo cliente.

A formação inicial das tripulações e dos mecânicos gregos será feita na Base Aérea de Beja, no sul de Portugal, aproveitando a experiência da Força Aérea Portuguesa com o avião. Segundo a Lusa, a operação deve gerar um retorno de 33 milhões de euros para o Estado português.

O acordo foi assinado na presença do ministro português da Defesa, Nuno Melo, e do grego Nikos Dendias. Segundo o Ministério da Defesa grego, citado pelo PortalR3, será a primeira vez que o país terá um avião de transporte militar a jato.

Hoje a Grécia voa com seis Hércules, dos modelos C-130B e C-130H. O KC-390 também será o primeiro avião-tanque da Força Aérea Helênica.

Com o sistema de reabastecimento em voo, ele pode abastecer caças no ar e também receber combustível de outra aeronave. A Embraer diz que o avião leva até 26 toneladas de carga útil e voa a 470 nós.

Ele foi projetado para pousar em pistas temporárias ou sem asfalto, o que amplia o tipo de missão possível. Entre as tarefas previstas estão transporte de tropas e veículos, lançamento de paraquedistas e cargas, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e missões humanitárias.

Antes da Grécia, escolheram o avião brasileiro Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia. A maioria desses países também integra a Otan, a aliança militar do Atlântico Norte.

Fora da Europa, o KC-390 foi comprado pelas forças aéreas do Brasil, da Coreia do Sul, do Uzbequistão, dos Emirados Árabes Unidos e da Colômbia, segundo a fabricante. “Essa escolha ressalta a confiança que importantes membros da OTAN possuem em nossa aeronave”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, em comunicado.

O avanço sobre a Otan vem de antes. Como o CPG mostrou em julho, o Brasil já vinha ganhando espaço entre forças da aliança com o KC-390.

No mesmo dia da assinatura, a americana Lockheed Martin, que fabrica o Hércules, publicou um vídeo nas redes destacando que já produziu mais de 2.700 aviões C-130. O texto provoca: o único concorrente teria “menos de 20”.

Segundo o site AEROIN, a conta tem base. Até agora foram entregues 16 aeronaves KC-390, porque o projeto voou pela primeira vez só em 2015, enquanto o Hércules decolou em 1954.

O mesmo AEROIN lembra que o programa sofreu atrasos por falta de pagamento do governo brasileiro, seu principal financiador, o que segurou o ritmo da linha de montagem nos últimos anos. A meta, segundo o site, é chegar a 10 aviões produzidos por ano até o fim da década.

Cada nova encomenda europeia, como a grega, ajuda a ocupar essa capacidade. Para quem trabalha na cadeia do KC-390, o contrato grego soma mais três aviões firmes ao calendário de entregas, com a perspectiva de outros três caso Atenas use todas as opções.

O anúncio saiu poucos dias depois do balanço do terceiro trimestre. A carteira total de pedidos da Embraer chegou a US$ 35,7 bilhões, alta de 14% sobre o mesmo período de 2025, segundo o g1.

Foi o sétimo recorde trimestral seguido. Como o contrato com a Grécia foi assinado em novembro, ele não entra nesses números e deve aparecer só no balanço do quarto trimestre.

Em declarações à Lusa, Nuno Melo disse que o governo grego mostrou interesse no futuro navio polivalente português D. João II, cuja entrega à Marinha de Portugal está prevista para 2027.

O ministro citou ainda interesse grego em drones aéreos, de superfície e submarinos e no Super Tucano, outro avião da Embraer. Ele ressalvou que as conversas estão em fase inicial.

Dendias, por sua vez, falou em aprofundar parcerias com Portugal na construção de aeronaves e embarcações. Nada disso, por enquanto, tem contrato assinado ou valor definido.

A Embraer não informou em que prazo a Grécia precisa decidir sobre as três opções, nem como fica a divisão do valor entre os aviões, o suporte e o treinamento previstos no pacote. Também não há detalhe público sobre quantas horas de trabalho o pedido grego representa para as fábricas brasileiras.

O que está assinado são três aviões, com o primeiro previsto para 2027. Com sete clientes europeus e a Lockheed reagindo em público, você acha que o KC-390 consegue chegar aos 10 aviões por ano antes do fim da década? Conte nos comentários.

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