Aliados tentam entendimento entre Tereza Cristina e Marinho para fazer frente a Alcolumbre

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Aliados dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) tentam construir um entendimento para viabilizar uma candidatura única contra Davi Alcolumbre (União-AP) na disputa pela Presidência do Senado. A articulação busca evitar que a divisão entre os dois nomes favoreça a reeleição do atual presidente da Casa, que já reúne apoios de partidos como União Brasil, PP, MDB e PSD e concentra a preferência da maior parte do Centrão.

O principal impasse é a definição de quem encabeçaria a chapa: a família Bolsonaro defende Marinho, enquanto uma ala minoritária do Centrão aposta em Tereza, considerada uma alternativa com maior capacidade de atrair votos para além do bolsonarismo. As negociações ocorrem em meio à reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua fuga para os Estados Unidos.

Com o senador tentando preservar sua liderança política a partir do exterior, a disputa pelo comando do Senado ganhou importância para o PL, que elegeu a maior bancada da Casa e busca ampliar seu protagonismo na oposição ao novo governo. O PL marcou uma reunião para a próxima quarta-feira, com parlamentares em exercício e eleitos, para discutir a estratégia da legenda nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado.

A intenção é lançar oficialmente Marinho como candidato ao comando da Casa, embora aliados ainda trabalhem para alcançar um entendimento com Tereza Cristina e evitar a fragmentação dos votos contrários a Alcolumbre. Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio, conta com o respaldo da família Bolsonaro.

Na carta divulgada na quarta-feira, já nos Estados Unidos, o candidato derrotado reforçou publicamente seu apoio ao senador potiguar, a quem chamou de seu candidato à Presidência do Senado. “Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política.

Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", escreveu Flávio.

O apoio foi reiterado nesta quinta-feira pelo senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC), que defendeu nas redes sociais a eleição de Marinho como uma condição importante para fortalecer a oposição ao governo Lula. — O senador Rogério Marinho na Presidência do Senado Federal será fundamental para que a oposição possa cumprir seu papel, enfrentar os desafios que o Brasil exige e promover as mudanças necessárias em defesa da Constituição, da liberdade e dos interesses dos brasileiros — disse Carlos.

A manifestação reforça a preferência da família Bolsonaro por Marinho, mas também evidencia um dos desafios da articulação: convencer aliados de outros partidos de que o senador reúne condições de enfrentar Alcolumbre. Embora o PL tenha ampliado sua bancada nas eleições, precisará conquistar votos de outras legendas para chegar ao comando da Casa.

Tereza Cristina, por sua vez, é defendida por interlocutores do Centrão que avaliam que seu perfil pode facilitar a aproximação com senadores de diferentes campos políticos. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, ela mantém relações com parlamentares de centro e integrantes do setor agropecuário, além de já ter manifestado o desejo de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.

A movimentação da senadora ocorre apesar do apoio anunciado pela federação formada por União Brasil e PP à recondução de Alcolumbre. Na terça-feira, os presidentes das duas siglas, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, formalizaram a posição, em um movimento que provocou resistência entre integrantes das próprias bancadas.

Com o apoio formal do PP à reeleição de Alcolumbre, ela teria de lançar uma candidatura avulsa, sem o respaldo oficial do próprio partido, caso decida manter seu nome na disputa. A senadora aposta, porém, na possibilidade de conquistar votos de parlamentares que não concordam com a posição das direções partidárias, já que a escolha do presidente do Senado ocorre por votação secreta.

Tereza reagiu ao anúncio afirmando que os senadores eleitos e reeleitos ainda não haviam sido diplomados e deveriam ter a oportunidade de participar da definição sobre o comando da Casa. — Observamos que os 54 novos senadores eleitos e reeleitos sequer foram diplomados e têm todo o direito de expressar, no momento apropriado, sua vontade e, naturalmente, a dos eleitores que representam — afirmou.

Marinho também questionou o alcance do apoio anunciado pela federação. Indagado sobre a posição de União Brasil e PP, afirmou que a decisão das direções partidárias não necessariamente seria acompanhada pelos parlamentares.

— Eu acho que a posição dele não se reflete na bancada — disse o senador. Além de União Brasil e PP, Alcolumbre reúne apoios e sinalizações favoráveis de outras legendas, entre elas MDB, PSD e PT.

O atual presidente do Senado tem intensificado as conversas com parlamentares eleitos e reeleitos para consolidar sua candidatura, em uma disputa na qual a votação secreta abre espaço para dissidências mesmo entre partidos que já anunciaram posição. Alcolumbre também tem utilizado a oferta de gabinetes para atrair apoio de parlamentares e acenado com a possibilidade de discutir o indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os movimentos buscam reduzir resistências entre senadores da direita, que criticam a condução de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo atual presidente da Casa. Alcolumbre também enfrenta desgaste com as revelações sobre sua relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa mostram trocas de declarações de amizade entre os dois. Em uma das conversas, o presidente do Senado chegou a chamar o banqueiro de “irmão” e afirmou que a relação seria “para a vida toda”.

Alcolumbre negou qualquer irregularidade, afirmou que as mensagens tinham caráter pessoal e disse ser alvo de ataques injustos. Para o PL, o lançamento de Marinho também é uma tentativa de mobilizar a bancada bolsonarista depois da derrota presidencial e da saída de Flávio do país.

Antes da viagem, a expectativa de dirigentes partidários era que o senador assumisse pessoalmente a articulação da oposição no Congresso. A decisão de permanecer nos Estados Unidos frustrou esses planos e abriu espaço para outras lideranças disputarem protagonismo.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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