Alcolumbre detona golpismo de Nikolas Ferreira

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), usou a tribuna nesta quarta-feira (4) para desmontar a farsa bolsonarista contra as urnas eletrônicas. Sem citar nomes, ele também respondeu ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que em setembro atravessou o país para atacá-lo em Macapá, no coração político do Amapá.

Discurso de Davi Alcolumbre no plenário do Senado em 4 de novembro de 2026 (imagens da TV Senado) O discurso veio depois que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), acusou Alcolumbre de romper um acordo ao adiar a votação da redução da maioridade penal.

O adiamento atendeu a um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para esperar a análise do tema pelos deputados. O ponto mais duro da fala atingiu a contestação do resultado que deu a reeleição a Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Alcolumbre lembrou que o mesmo equipamento elegeu a bancada recorde do partido derrotado. “No primeiro turno a urna eletrônica prestou.

No primeiro turno abriu a urna eletrônica e essa mesma urna eletrônica que tem 30 anos, ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição. Essa mesma urna eletrônica serviu para eleger 20 tantos senadores.”

Em seguida veio a ironia que expôs a seletividade do PL. “Ela serviu para comemorar no primeiro turno uma eleição vitoriosa do adversário ao presidente Lula, que ganhou por mais de 2 milhões de votos no primeiro turno e quando abriu no segundo turno não prestou mais a urna”, disse.

O presidente do Senado desafiou a oposição a sustentar a própria tese até o fim. “Eu queria encontrar um para dizer que só deu errado no segundo turno.

Não, ninguém fala mais nada, ninguém avisa”, afirmou. Alcolumbre não pronunciou o nome de Nikolas, mas o alvo era evidente.

“As coisas estão impossíveis no Brasil”, disse, antes de criticar “lideranças políticas” que saem “de um estado do Brasil para irem no estado do presidente do Senado ofender ele”. “Isso não tá normal.

A gente precisa respeitar todas as opiniões. A gente precisa respeitar a divergência”, completou.

Para o senador, as redes sociais viraram “um instrumento de ofensas, de agressões e de mentiras”, e as ofensas servem para “conquistar apoiamento desse radicalismo horrível que nós estamos vivendo no Brasil”. Ele também lamentou a eleição de quem fez campanha só com ataques.

“Muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, afirmou. No domingo, 13 de setembro, em plena campanha, Nikolas levou um palanque à Curva do Araxá, cartão-postal de Macapá, para exigir que Alcolumbre abrisse processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma medição da Universidade de São Paulo com a organização More in Common contou cerca de 5.800 pessoas no pico. O tom foi de intimidação.

“É o seu povo pedindo o impeachment do Moraes. Caso contrário, você entrará como um dos maiores covardes do Brasil”, disse o deputado.

Nikolas ainda puxou o coro de “Fora, Davi” e partiu para o ataque pessoal contra o senador diante da plateia. No vídeo do discurso, o próprio deputado confessou que não tinha nada a fazer ali além da provocação.

“Eu não precisava estar aqui, mas o que me move não é votos, porque eu não tenho voto aqui no Amapá”, disse, antes de exaltar Jair Bolsonaro, condenado e preso. “E eu não tenho dúvidas que ano que vem quem vai estar aqui do meu lado vai ser Jair Messias Bolsonaro.”

Trechos do ato de Nikolas Ferreira em Macapá, em 13 de setembro de 2026 A ofensiva em Macapá foi o ensaio do que viria depois da derrota.

Na noite do segundo turno, Nikolas disse que aquela era “uma eleição que é impossível reconhecer”. Ele não apresentou prova alguma.

O vídeo do deputado omitia que o próprio PL também pediu a prorrogação do horário de votação. No dia seguinte, recuou.

Em novo vídeo, admitiu que a chance de anular a eleição é “praticamente nula” e pediu aos seguidores que não fossem às ruas, sem nunca retirar a suspeita que plantou. O discurso ocorreu horas depois de o PL lançar Rogério Marinho (RN) contra a reeleição de Alcolumbre à presidência da Casa, em fevereiro de 2027.

O partido que contesta as urnas quer agora controlar a instituição que certifica a democracia. Alcolumbre encerrou com um desafio que segue sem resposta.

“Eu quero encontrar um, pode ser até daqui a pouco, depois que eu terminei de falar aqui, que me diga que a urna não prestou desde a primeira, desde o primeiro turno.”

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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